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Famalicão

Padre Francisco vai para Roma com “o coração apertado, mas aberto”

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Francisco Miguel Fernandes Carreira, uma figura central na vida religiosa de Vila Nova de Famalicão na última década, encerra um significativo capítulo do seu percurso como pároco e arcipreste para abraçar novos desafios. Recentemente, a comunidade de Famalicão foi surpreendida com a notícia da sua partida. A convite do arcebispo metropolita de Braga, o padre Francisco Carreira irá prosseguir a sua formação superior em Roma.

Foi a este propósito que o jornal OPINIÃO PÚBLICA foi falar com o padre Francisco, que nos recebeu na Igreja Matriz antiga.

Nascido a 1 de novembro de 1974, Francisco Carreira foi ordenado padre a 18 de julho de 2004. A sua nomeação para as paróquias de Santo Adrião, em Vila Nova de Famalicão, e de São Martinho, em Brufe, ocorreu a 17 de julho de 2016. A sua liderança e capacidade de organização foram reconhecidas com a nomeação para arcipreste de Famalicão. O primeiro mandato iniciou-se a 5 de dezembro de 2019. O seu trabalho à frente do arciprestado foi de tal forma apreciado que foi reconduzido para um novo quinquénio, de 2023 a 2028, juntamente com o seu vice-arcipreste, o padre Nuno Vilas Boas.

É, portanto, fácil de fazer as contas. Foi ordenado padre há 21 anos, e há 18 que está em Vila Nova de Famalicão, que já chama de casa, apesar de ter nascido na Aguçadoura, no concelho vizinho da Póvoa de Varzim. 

A partida foi, por isso, uma decisão difícil, “depois de todas as experiências vividas, depois de todas as pessoas que conhecemos, depois de todas as relações de proximidade e amizade”. “É sempre muito difícil dizer vou sair, vou partir, vou assumir uma nova missão”, explica, emocionado, o padre Francisco.

Admite que, numa primeira fase, as pessoas ficaram espantadas com a sua decisão, “mas depois foi também de uma alegre tristeza”. Diz que reconhecem que a sua saída é para uma experiência nova e que são capazes de entender essa mudança e essa decisão. “Mas não queria centrar isto na minha pessoa…”, diz o padre Francisco, convencido que o seu percurso foi de estímulo para que outras pessoas trabalhem em prol da comunidade cristã. “Essa sempre foi a intenção… O padre é importante, mas não o único. É aquele que de facto motiva, incentiva, provoca e põe as outras pessoas a tomarem consciência da sua dimensão batismal. Que são cristãos, têm um papel e uma missão para cumprir no mundo e na comunidade…”, frisou.

Desta forma olha para o seu percurso de 18 anos como sendo de conhecimento, amadurecimento, de desenvoltura pessoal. Trata-se – explica – de um percurso onde conheceu melhor as suas capacidades e as limitações. “E vamos percebendo isso nas pessoas e vamos tecendo uma comunidade com fragilidades, mas com potencialidades. Eu posso levar daqui essa aprendizagem toda…”.

Não quer, assim, sentir a sua partida como sendo uma despedida, “mas algo que faz parte do itinerário natural de uma comunidade”. “Hoje estou eu, ontem esteve outro e amanhã estará outro e assim a comunidade continua. Os padres são passageiros, não temos, aqui, morada permanente”, defende o sacerdote, que recorda que a comunidade é que fica e é que tem que mostrar e até ajudar o padre a ser pároco. 

“É uma aventura desejável”

O seu sucessor nestas paróquias é o padre Fernando Alberto Abreu Torres, que Francisco Carreira conhece bem. “Depois de ser ordenado sacerdote, eu estive três anos a trabalhar nos seminários e ele foi meu aluno…Conheci-o enquanto menino e agora já mais crescido”, diz, com pausas entre as palavras para controlar a emoção. E assegura: “sim, estão bem entregues”. “Não podemos é fazer comparações porque não há mais nenhum Francisco, como não há mais nenhum Fernando, cada um é o que é na sua capacidade de ser, de estar, de comunicar, de testemunhar a fé”.

Conhecedor profundo dos paroquianos de Brufe e Santo Adrião, com quem conviveu quase duas décadas, o padre Francisco define-as como comunidades de fé, “que vivem com alegria e com desejo de crescer”. 

É o sentimento de um trabalho que, da sua parte, está feito e que, a partir daqui, os que lhe seguirão vão continuar. Agora, os seus olhos estão postos em Roma, onde vai viver três anos. À pergunta se a aventura é apetecível, o padre Francisco responde sem rodeios: “diria desejável”. “Tem tudo para ser uma aventura e uma experiência totalmente nova. É um país novo, língua nova, pessoas diferentes e isso traz alguma ansiedade, não saber o que me espera, mas também muita esperança e muita confiança”.

Francisco Carreira vai frequentar a Universidade Pontifícia Gregoriana, mais particularmente o Instituto de Espiritualidade, e o seu âmbito de estudo é a Espiritualidade da Bíblia, dos Santos, a Mística. “São áreas de estudo que gosto particularmente”, explica. Antes disso, vai aprender o italiano para poder frequentar as aulas. “Estou com o coração apertado, mas aberto…”, diz, mais uma vez emocionado.

E depois de terminar esta jornada em Roma? “Quando terminar esta jornada espero continuar a ser o Francisco simples, humilde que deseja aprender e continuar a viver e conviver com todos, mostrando a alegria de ser cristão e de ser padre”.

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