Desporto
Morocco Challenge: a experiência de Pedro Pereira e Luís Campos no deserto

A dupla famalicense
Pedro Pereira e Luís Campos regressaram, no passado sábado, dia 3, a Vila Nova de Famalicão após concluírem o Morocco Challenge, uma aventura que, segundo os protagonistas, superou todas as expectativas iniciais. Foram dias de uma intensidade extrema, onde a dupla enfrentou um desafio que testou os limites psicológicos, físicos e, sobretudo, a resistência da mecânica. Sobre a fiabilidade do veículo, Pedro Pereira recorda que “a mecânica tem memória e, de vez em quando, a memória vem ao de cima e atraiçoa-nos um pouco as expectativas”, ainda que o balanço final tenha sido francamente positivo. Para Luís Campos, a experiência revelou-se “muito enriquecedora ao nível de conhecermos novas culturas” e pessoas que descreve como sendo “sempre muito amáveis”.
“Se não tivéssemos feito esse corte e tivéssemos cumprido o waypoint, vencíamos a etapa”
Pedro Pereira
A prestação desportiva da equipa famalicense foi de assinalar, conquistando o pódio em duas das seis etapas que compunham o desafio de 1200 quilómetros. O piloto destaca a última etapa como sendo particularmente exigente do ponto de vista estratégico, uma vez que a navegação foi feita exclusivamente de waypoint em waypoint, sem o auxílio de track de GPS. Pedro Pereira explica que esta condicionante “obriga a ter mais navegação, a criar aqui um espírito mais competitivo e fazer um bocadinho a diferença dos restantes participantes”. No entanto, a vitória numa das etapas escapou por pouco devido a um erro de interpretação do regulamento. “Se não tivéssemos feito esse corte e tivéssemos cumprido o waypoint, vencíamos a etapa”, lamenta o piloto, acrescentando que, apesar disso, fica a alegria de saber que “efetivamente podíamos ter feito mais e melhor”.
A dureza do deserto marroquino impôs dificuldades técnicas constantes, desde as “armadilhas” do terreno até à necessidade de manter a concentração absoluta ao longo de tiradas superiores a 200 quilómetros. Um dos maiores entraves foi o controlo da velocidade, limitada a 80 km/h, tarefa dificultada pela ausência de ferramentas eletrónicas de precisão em longos estradões de terra batida. Quanto à preparação do jipe, Pedro Pereira enfatiza que o motor não é o fator determinante, mas sim o conjunto de suspensões e molas, que deve ser “top” para evitar passar horas intermináveis com os mecânicos locais. Sobre a assistência em Marrocos, o famalicense nota que é preciso “mudar o chip” e adotar a tranquilidade local: “Deixámos o carro na oficina às quatro da tarde e saímos de lá às duas da manhã”.
Para além da competição, a viagem foi marcada por momentos de profunda humanidade que, segundo Pedro Pereira, são o que verdadeiramente fica após a prova. O piloto, apaixonado por Marrocos há 14 anos, recorda com emoção a reação das crianças locais ao verem a caravana passar. “Ver a reação dos miúdos – a gente para o carro e lá a cantilena: ‘Monsieur, monsieur, bonbon!’”.

Numa das etapas, após uma paragem forçada devido a uma avaria num carro de um colega, a dupla aproveitou para partilhar barras de cereais com crianças que regressavam da escola. “A malta recebe aquilo com uma gratificação brutal. Acho que, no final de tudo, são estas memórias, estas histórias que nos ficam na retina”, confessa o piloto.
Embora Pedro Pereira já pense na edição de inverno em dezembro, Luís Campos mantém-se mais cauteloso devido a compromissos profissionais, ainda que sublinhe que voltaria a participar na próxima etapa de primavera “com todo o prazer”.
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