Desporto
Balde de água fria no Jamor deixa FC Famalicão fora das competições europeias
A surpreendente vitória do Torreense frente ao Sporting (2-1), na final da Taça de Portugal, deitou também por terra o sonho famalicense. O histórico quinto lugar alcançado na I Liga acabou por se revelar insuficiente e a desilusão instalou-se junto ao Estádio Municipal.
O futebol português testemunhou, este domingo, uma das maiores e mais inesperadas surpresas da temporada, com repercussões diretas e amargas em Vila Nova de Famalicão. A histórica conquista da Taça de Portugal pelo Torreense, que derrotou o Sporting por 2-1 após prolongamento no Estádio Nacional, acabou por ditar o fecho das vagas europeias para a próxima época e selou a exclusão do FC Famalicão das competições internacionais.
Quem acompanhou a emocionante partida no Jamor com o coração nas mãos foram os responsáveis e adeptos famalicenses. O conjunto orientado por Hugo Oliveira, que fechara o campeonato num brilhante e inédito quinto posto, dependia exclusivamente do triunfo dos “leões” para carimbar o passaporte rumo à Liga Conferência. Caso o Sporting erguesse o troféu, a vaga europeia associada à Taça de Portugal transitaria automaticamente para a tabela classificativa da I Liga, beneficiando diretamente os famalicenses. Contudo, a resiliência da formação de Torres Vedras contrariou todo o favoritismo e desfez as aspirações de Vila Nova de Famalicão, garantindo para si o direito de representar Portugal além-fronteiras.
O desfecho do jogo ecoou de imediato na cidade, onde o ambiente festivo que se começava a desenhar deu lugar à frustração. Junto ao Estádio Municipal, algumas dezenas de adeptos que se tinham reunido para acompanhar as decisões e preparar a festa dispersaram rapidamente assim que o árbitro apitou para o fim do prolongamento em Oeiras. Para prevenir potenciais distúrbios ou manifestações de descontentamento, a Polícia de Segurança Pública (PSP) montou um forte dispositivo de prevenção no local, mobilizando uma dezena de operacionais e três viaturas, embora a desilusão tenha imperado de forma pacífica. Termina assim, com um travo injusto face à excelente campanha interna, o sonho europeu de um Famalicão que morreu na praia por linhas alheias.
O Filme do Jogo: Como o Torreense bateu um gigante no Jamor

A finalíssima do Estádio Nacional ficará gravada como uma das tardes mais dramáticas e surpreendentes da história do futebol português, coroando a audácia de um Torreense que se superiorizou ao Sporting CP por 2-1, após prolongamento.
A formação de Torres Vedras, a militar no segundo escalão, entrou na partida sem o peso do favoritismo e gelou as bancadas leoninas logo ao minuto 3. Na sequência de um pontapé de canto cobrado por Costinha, a bola viajou até ao segundo poste, onde Kévin Zohi apareceu solto para encostar e inaugurar o marcador. Em desvantagem, o Sporting assumiu as despesas do jogo, mas deparou-se com uma muralha defensiva compacta e organizada.
O golo do empate leonino surgiria apenas na segunda parte, ao minuto 53. Na sequência de um ressalto na grande área, o avançado Luis Suárez controlou a bola, rodou sobre a marcação de Stopira e desferiu um remate colocado, restabelecendo a igualdade (1-1) e empurrando a decisão do troféu para o tempo extra.
No prolongamento, a tensão física e tática subiu de tom, com as equipas a darem sinais de desgaste. O momento de viragem na partida deu-se ao minuto 108, quando Maximiliano Araújo, do Sporting, recebeu ordem de expulsão com cartão vermelho direto, deixando os leões reduzidos a dez unidades no relvado.
Aproveitando a superioridade numérica, o Torreense lançou-se no ataque e, ao minuto 112, Ismaïl Seydi foi derrubado no interior da grande área, com o árbitro António Nobre a assinalar grande penalidade. Chamado à responsabilidade, o capitão Stopira assumiu a cobrança e disparou sem hipóteses para o guardião Rui Silva, carimbando o 2-1 histórico. Nos instantes finais, o Sporting operou um assalto desesperado à baliza de Lucas Paes, mas o emblema do Oeste resistiu com bravura e segurou a primeira Taça de Portugal do seu historial, assegurando uma vaga direta na fase de liga da Liga Europa.
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