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Carlos Carvalhal no FC Famalicão: O apelo do sangue e a ambição de “olhar qualquer adversário olhos nos olhos”

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Carlos Carvalhal é o novo treinador do FC Famalicão, sucedendo a Hugo Oliveira numa operação relâmpago que testou a agilidade da estrutura minhota. Na conferência de imprensa de apresentação, marcada por uma forte carga emocional e discursos de vincada ambição, o técnico e o presidente Miguel Ribeiro detalharam os contornos de um acordo que une a maturidade de um projeto em crescimento ao desejo de um treinador em regressar às suas origens.

A simbiose perfeita entre visão e maturidade

O presidente do FC Famalicão, Miguel Ribeiro, abriu a sessão sublinhando que a contratação de Carlos Carvalhal representa a solidez institucional do clube. Diante dos jornalistas, o líder famalicense não escondeu o entusiasmo pelo desfecho rápido das negociações após a saída do anterior técnico para o Estrasburgo:

“Com elevada honra e ambição, fazemos hoje a apresentação do mister Carlos Carvalhal. É algo que faz todo o sentido para nós e, acredito, para ele. Isto é o renovar da ambição do Famalicão, sempre em cima do que é a nossa visão e filosofia.”

Confrontado com o impacto da perda de Hugo Oliveira através do pagamento da cláusula de rescisão de quatro milhões de euros, Miguel Ribeiro apontou o episódio como um indicador de prestígio: “É uma grande satisfação e uma grande demonstração de maturidade de um clube como o Famalicão quando perde um treinador e tem a capacidade, muito rápido, de garantir um treinador como o Carlos Carvalhal.”

O dirigente reiterou que as metas da temporada continuam fiéis à matriz do clube, focadas no jogo e na valorização dos atletas, recusando obsessões classificativas: “O mister percebe perfeitamente que o Famalicão tem muito definida a sua filosofia. Nunca me ouvirão aqui, nem nunca me vão ouvir, a pedir-lhe lugares ou este tipo de objetivos.”

O fator humano e o “sangue famalicense”

Na sua primeira intervenção, Carlos Carvalhal retribuiu os elogios à estrutura e explicou que a decisão de assumir o comando técnico do Famalicão se apoia em pilares muito claros, a começar pela qualidade das infraestruturas e pela massa adepta.

“É um prazer grande treinar o Famalicão. Dou os parabéns pelas instalações de excelência que o clube tem neste momento, num nível muito alto”, afirmou, elogiando ainda o ambiente que envolve o clube: “É um clube em que as pessoas gostam muito de futebol, gostam muito do jogo e gostam muito do clube. Para nós, isto é muito importante.”

Contudo, o momento mais marcante da apresentação prendeu-se com as razões íntimas que ditaram o fim de um ano de paragem voluntária e a recusa de propostas financeiramente avassaladoras do estrangeiro. Carvalhal revelou que o seu coração e a sua história familiar pesaram de forma decisiva: “O meu pai tem demência, infelizmente, e é de Famalicão. Metade do meu sangue que corre nas veias é de Famalicão, ele nasceu em Brufe. Fiquei extremamente satisfeito quando disse ao meu pai: ‘Ó pai, vou treinar o clube da tua terra’. E a resposta dele foi: ‘Vais para o Famalicão?’. Ficou todo contente. Isso para mim é algo muito importante no meu íntimo.”

A par do cuidado com o progenitor, o técnico assumiu que a proximidade geográfica pesou na balança após uma década a competir longe de casa. “A nossa vida é muito complicada. Estive dez ou onze anos fora e o preço é muito alto. Uma parte significativa da educação dos meus filhos ficou a cargo da minha mulher e eu tive pouca participação. Isto custa. Eu não queria passar outra vez pela mesma situação com os meus netos. Quero viver para os meus netos aquilo que não vivi com os meus filhos”, desabafou com invulgar candura.

Identidade tática e a naturalidade do mercado

No plano puramente desportivo, Carlos Carvalhal garantiu que o Famalicão manterá uma postura corajosa em qualquer estádio. “O que eu quero é uma equipa competitiva, que olhe olhos nos olhos em todos os adversários, mas em todos os adversários, e que pense que vai entrar em campo e pode ganhar àquele adversário, seja ele qual for”, projetou.

Sobre a herança deixada pela equipa técnica cessante, o novo treinador prometeu uma transição suave e inteligente: “Não vamos fazer uma rotura total com aquilo que estava feito. A nossa intenção é aproveitar tudo o que entendemos que estava bem-feito. Não fazemos copy-paste porque isso não existe, mas haverá coisas diferentes.”

Instado a comentar a forte cobiça do mercado europeu sobre figuras nucleares do plantel — como Gustavo Sá —, Carvalhal desvalorizou o cenário com o pragmatismo de quem conhece o futebol moderno. “Não tenho medo de nada. Já estou habituado a isto, à entrada e à saída. A dificuldade muitas vezes é quando alguém sai e não há entrada, mas felizmente aqui no clube está de tal forma estruturado que cada situação de saída está prevista e comatada. Se saírem, é encarado com naturalidade”, garantiu, secundado por Miguel Ribeiro, que asseverou que o dossiers de mercado “não retiram um minuto de sono” à direção famalicense.

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