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Economia

Vinhos de Famalicão. Da tradição à excelência no coração do Ave

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Muitas vezes ofuscada pela força da sua indústria têxtil e metalomecânica, a paisagem rural de Vila Nova de Famalicão esconde um dos seus tesouros mais valiosos e em mais rápida transformação: a vinha. Inserido na vasta e célebre Região Demarcada dos Vinhos Verdes — especificamente na sub-região do Ave —, o concelho tem protagonizado nos últimos anos uma autêntica revolução silenciosa. Onde antes se produzia vinho apenas para consumo doméstico ou venda a granel, hoje nascem néctares premiados, engarrafados com rigor e desenhados para conquistar os paladares mais exigentes.

A história do vinho em Famalicão é antiga, marcada pelo minifúndio e pelas tradicionais “ramadas” ou “latadas” que bordejavam os campos de milho. Durante décadas, a produção caracterizava-se pela quantidade e por uma acidez agreste, típica de uma agricultura de subsistência. Contudo, o paradigma mudou radicalmente. Uma nova geração de produtores e enólogos percebeu o potencial único deste terroir: solos graníticos, uma exposição solar privilegiada e a influência atlântica que confere uma frescura inigualável às uvas.

O grande motor desta mudança foi a profissionalização. As velhas adegas de pedra, românticas mas pouco eficientes, deram lugar a instalações modernas equipadas com cubas de inox, sistemas de controlo de temperatura e prensas pneumáticas. Esta tecnologia permitiu domar a fermentação, preservando os aromas primários das castas rainhas da região — o Loureiro, o Arinto (Pedernã) e a Trajadura. O resultado são vinhos brancos cítricos, florais e elegantes, com aquele “agulha” (gás) natural ou, cada vez mais, tranquilos e complexos, que fogem ao estereótipo do “vinho verde barato”.

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Neste cenário de renascimento, a Frutivinhos – Cooperativa Agrícola de Vila Nova de Famalicão desempenha um papel central. Longe da imagem estagnada que muitas cooperativas carregaram no passado, esta instituição soube modernizar-se, incentivando os seus centenas de associados a entregarem uvas de melhor qualidade e lançando marcas próprias que hoje figuram nas prateleiras das garrafeiras especializadas e na grande distribuição.

Paralelamente, assiste-se ao surgimento e consolidação de produtores de quinta — projetos familiares ou empresariais que apostam em vinhos de autor e de “terroir”. Estas quintas não só elevaram a fasquia da qualidade, introduzindo colheitas selecionadas e até espumantes de Vinho Verde de grande nível, como começaram a abrir as portas ao enoturismo, convidando visitantes a conhecer as vinhas e a provar os vinhos no local onde nascem.

A aposta na qualidade já dá frutos visíveis além-fronteiras. O Vinho Verde de Famalicão deixou de ser apenas o “vinho do lavrador” para se tornar um produto de exportação, apreciado nos Estados Unidos, na Alemanha e no Brasil como um vinho jovem, versátil e perfeito para a gastronomia moderna.

Hoje, beber um vinho de Famalicão é saborear a simbiose perfeita entre a herança do Minho e a ciência da enologia moderna. É a prova de que, tal como na sua indústria, também na agricultura o concelho soube inovar, transformando as suas raízes rurais num ativo de sofisticação e valor económico.

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