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Economia

Coindu avança com novo despedimento coletivo de 254 trabalhadores

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A Coindu, indústria de componentes têxteis para o setor automóvel, vai avançar com o segundo despedimento coletivo este ano, na fábrica de Joane. Depois de em maio último ter despedido 123 trabalhadores, a empresa anunciou, na última semana, um novo despedimento coletivo, desta vez abrangendo 254 trabalhadores. 

A administração da Coindu justifica esta decisão com o declínio das encomendas no setor. Em comunicado, refere que uma “análise aprofundada da situação económica e operacional da empresa” fez optar por este desfecho.

Neste sentido, explica que “a empresa terá de proceder a uma reestruturação do seu quadro de colaboradores, devido ao declínio acentuado e prolongado das encomendas no setor automóvel, que tem impactado a sua atividade nos últimos anos”.

A empresa, que contava 1.050 trabalhadores, realçou que fez “todos os esforços para evitar esta medida”, mas este despedimento vai permitir “alinhar a sua capacidade de produção com a carteira de encomendas existente, garantindo a fiabilidade do fornecimento para todos os contratos em vigor”.

Este reajustamento da capacidade de produção, vincou, é “necessário” para “garantir a viabilidade da empresa a longo prazo”, “num contexto de grande incerteza e num setor automóvel europeu que enfrenta uma fase muito complexa”.

A Coindu sublinhou ainda que o despedimento coletivo “é a solução juridicamente adequada para assegurar um processo transparente e de acordo com a lei, protegendo os direitos dos colaboradores abrangidos”.

Recorde-se que, em dezembro de 2024, a Coindu já havia encerrado a sua unidade de produção localizada em Arcos de Valdevez, deixando 305 pessoas no desemprego. Depois, em maio deste ano, avançou com o despedimento coletivo de 123 trabalhadores e colocou outros 237 em lay-off na fábrica de Joane.

PCP exige esclarecimentos ao Governo 

Face a este novo despedimento, o Grupo Parlamentar do PCP entregou uma pergunta na Assembleia da República exigindo esclarecimentos do Governo e medidas que salvaguardem os direitos dos trabalhadores e os postos de trabalho. 

Os comunistas lembram que a Coindu “beneficiou de 3,9 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), e que já havia arrecadado cerca de 200 mil euros de apoios estatais, entre 2021 e 2022”. Consideram, por isso, que o Governo “não pode ficar indiferente”, até porque – dizem– “há fundadas evidências que se pode tratar de um processo de deslocalização”. 

O PCP nota ainda que, em maio, a empresa avançou com um processo de lay-off de seis meses e, agora, terminado esse período, anuncia o despedimento de um número de trabalhadores muito semelhante ao que estava em lay-off. Por isso, questiona o Governo sobre o custo  para o erário público desse processo.

devolveu integralmente o apoio de 3,9 milhões de euros que recebeu em 2022 do Plano de Recuperação e Resiliência Português (PRR), destinado à recuperação económica pós-pandemia de covid-19, revelou a empresa.

Recorde-se, no entanto, que já o ano passado, o grupo Coindu veio, em comunicado, esclarecer que “devolveu integralmente” o apoio de 3,9 milhões de euros que recebeu em 2022 do PRR, destinado à recuperação económica pós-pandemia de covid-19.

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