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Famalicão

Ensino artístico em risco

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“Chegamos a um ponto em que o sistema está em risco”, pode-se ler na petição que está a correr o país em defesa do ensino artístico especializado. O documento online alerta para os impactos negativos do congelamento dos apoios financeiros do Estado às escolas de ensino artístico especializado. Desde 2015 que as contribuições mensais a estas escolas não sofrem qualquer atualização, impactando fortemente a sua gestão. 

Em Famalicão, o Conservatório de Música Arteduca, o CCM -Centro de Cultura Musical e a Andança- Conservatório de Dança são estabelecimentos de ensino artístico especializado que se vêm a braços com as dificuldades decorrentes da falta de atualização dos apoios. No concelho, a petição está a ser amplamente divulgada, contando já, e até à hora de fecho desta edição do OP, com cerca de 11.500 assinaturas.

No país, mais de 32 mil alunos frequentam o ensino artístico especializado em articulação estreita com as escolas regulares. Margarida Gomes, diretora da Arteduca, é uma das vozes que se faz ouvir nesta luta, que é antiga, mas que surge agora com mais urgência porque “a situação está a tornar-se incomportável para as escolas”, refere. 

As consequências ao nível da gestão de um orçamento limitado impacta gravemente os estabelecimentos de ensino e também as famílias pois “o número de vagas é reduzido e há uma lista de alunos que querem entrar na nossa escola mas não conseguem fazê-lo, sem o pagamento de uma parte, quando o ensino deveria ser gratuito para todos”, alerta a professora e violinista famalicense.

Margarida Gomes defende que os conservatórios funcionam como “pólos de dinamização cultural” que desenvolvem um papel “altamente beneficiador para o aluno”, em parceria estreita com as escolas regulares, mas que “está a morrer” e, por isso, defende “maior atenção” por parte do Estado. 

Por outro lado, a responsável pela Arteduca realça que o sistema só se tem mantido devido “ao esforço dos professores e direções das escolas”, numa tentativa de manter em funcionamento um sistema “de que Portugal se orgulha e que é muito elogiado lá fora”. Alerta, por isso, que, “nos tempos que correm, em que a empatia parece estar a desaparecer, as artes não podem ficar como o parente pobre do ensino e a arte é uma das grandes respostas aos problemas dos nossos jovens, num mundo acelerado e vivido atrás dos ecrãs”.

Na petição que será apresentada na Assembleia da República é pedido que seja aprovada “uma lei que estabeleça um valor por aluno em contrato de patrocínio justo, e a sua atualização pela inflação”.

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