Famalicão
PCP em Famalicão exige rutura com privatizações e defende controlo público de setores estratégicos
A iniciativa, inserida na 3.ª Edição do Roteiro do Livro Insubmisso, marcou a atualidade política famalicense esta semana, trazendo ao debate o impacto das políticas liberais na economia nacional e na vida dos cidadãos.




Vila Nova de Famalicão foi palco, durante a última semana, da 3.ª Edição do Roteiro do Livro Insubmisso, promovida pela Organização Regional de Braga (DORBraga) do PCP. A cidade famalicense acolheu a apresentação da obra “Dossier As Privatizações – Contornos de Um Processo que É Preciso Reverter”. A sessão, que contou com uma participação expressiva, serviu de plataforma para o partido reafirmar a sua exigência de uma “rutura profunda” com o atual modelo económico.
O painel de debate foi moderado por Daniel Sampaio, da Comissão Concelhia de Famalicão do PCP, e contou com as intervenções de Vasco Cardoso, membro da Comissão Política do Comité Central do partido, e de Ricardo Cabral, economista e professor universitário. O foco central das intervenções incidiu sobre a urgência de recuperar o controlo estatal sobre sectores que os oradores consideram vitais para a soberania e o desenvolvimento do país.
Críticas à “voragem neoliberal”
Vasco Cardoso aproveitou a passagem por Famalicão para alertar para o que descreveu como a “voragem neoliberal”. Segundo o dirigente, o tema das privatizações ganhou uma importância acrescida no final de 2024, após o anúncio da criação de um grupo de trabalho pelo Governo PSD/CDS para o levantamento de empresas do Setor Empresarial do Estado (SEE) com vista à sua alienação. Cardoso sublinhou que setores estratégicos como a energia e as telecomunicações são hoje comandados a partir do estrangeiro, estimando que, nos últimos 30 anos, tenham saído do país cerca de 336 mil milhões de euros sob a forma de dividendos e lucros.
Para o PCP, esta realidade reflete uma opção política que privilegia a descida de impostos sobre o capital, como o IRC, em detrimento do investimento público. O partido defende, por isso, que a própria Constituição Portuguesa preconiza o controlo estratégico do Estado sobre estas áreas para garantir serviços de qualidade e preços justos aos cidadãos.
“Setores estratégicos como a energia e as telecomunicações são hoje comandados a partir do estrangeiro, estimando que, nos últimos 30 anos, tenham saído do país cerca de 336 mil milhões de euros”
Vasco Cardoso
O economista Ricardo Cabral reforçou as críticas, centrando a sua análise no prejuízo causado ao erário público. Cabral denunciou o que apelidou de “estratégia rentista”, caracterizada pelo corte sistemático de custos, subcontratação e precarização laboral. De acordo com o académico, este modelo tem como únicas consequências a deterioração da qualidade dos serviços e o aumento das margens de lucro dos grupos económicos, sem que daí resulte qualquer benefício real para o país.
A análise estendeu-se ainda à conjuntura internacional, com Ricardo Cabral a manifestar sérias preocupações quanto ao incremento da guerra e às opções tomadas pelo Governo, que, no seu entender, não resolvem os problemas estruturais que afetam a vida quotidiana das famílias.
Após o encerramento da sessão em Famalicão, que reafirmou a vitalidade do debate político no concelho, o Roteiro do Livro Insubmisso seguiu para a sua próxima etapa, com uma iniciativa em Fafe, que decorreu no passado dia 15, onde foi apresentado o livro “A verdade e a mentira sobre a Revolução de Abril”, de Álvaro Cunhal. Esta sessão contou com José Augusto Esteves, da Comissão Central de Controlo do PCP, e o artista e professor Max Fernandes, mantendo viva a dinâmica de discussão ideológica que marcou a semana famalicense.
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