Famalicão
PS acusa Mário Passos de “partidarismo” e “desrespeito” institucional em Famalicão
Em causa está a ausência de convites aos presidentes de junta de Joane e Riba de Ave, ambos socialistas, para visitas oficiais do executivo camarário. O autarca famalicense descarta críticas e fala em “visitas técnicas”.
A reunião de Câmara de Vila Nova de Famalicão desta quinta-feira ficou marcada por um aceso debate em torno do protocolo institucional e da cortesia democrática. Os vereadores do Partido Socialista (PS) confrontaram o presidente da autarquia, Mário Passos (PSD/CDS), acusando-o de “partidarismo” e de excluir deliberadamente autarcas da oposição em visitas de trabalho a freguesias do concelho.
O foco do descontentamento socialista prende-se com as recentes deslocações do edil a Joane e Riba de Ave. No primeiro caso, em meados de abril, Mário Passos visitou as obras na Escola Secundária Padre Benjamim Salgado e na Unidade de Saúde Familiar (USF) local. Na semana anterior, o autarca esteve em Riba de Ave acompanhado pelo Secretário de Estado da Administração Interna, Telmo Correia, para discutir a instalação do novo posto da GNR. Em ambas as ocasiões, os respetivos presidentes de junta — eleitos pelo PS — terão sido omitidos da comitiva.
“Desrespeito pela oposição”
Para Eduardo Oliveira, vereador e principal rosto do PS famalicense, o episódio configura um “verdadeiro desrespeito pelos partidos da oposição”. À margem da reunião, o socialista foi taxativo: “Lamentamos que em 2026 ainda sejamos confrontados com estas situações. A única conclusão que tiramos é que o senhor presidente só não convida os presidentes de junta quando estes são eleitos pelo Partido Socialista”.
Oliveira reforçou ainda que o critério de Passos parece oscilar consoante a cor política da freguesia, alegando que, em territórios governados pela coligação que sustenta a Câmara, o cuidado no convite aos autarcas locais é a norma.
O argumento técnico
Confrontado com as críticas, Mário Passos procurou desvalorizar a polémica, reduzindo-a a uma questão de “ruído” político que ignora a substância da governação. O autarca garantiu que os presidentes de junta são, “por regra”, convidados para atos oficiais, mas justificou as omissões recentes com o caráter específico das diligências.
“Tratou-se de jornadas de trabalho muito técnicas”, argumentou o edil, dando como exemplo a visita à Escola Padre Benjamim Salgado. Num tom mais crítico à oposição, Mário Passos lamentou que o debate se centre na forma e não no conteúdo: “Enquanto nós estamos preocupados em fazer obras e aproveitar o PRR para melhorar a vida dos famalicenses, a preocupação [do PS] nada tem a ver com isso. Parece que preferiam que as obras não acontecessem”.
O autarca rematou sublinhando o fosso de prioridades entre o executivo e a oposição, questionando por que razão não é interpelado sobre o “estado da arte” das empreitadas ou os prazos de conclusão, em vez de ser questionado sobre a lista de convidados para visitas de cariz técnico.
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