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25 de Abril em Famalicão: Entre o brio do progresso local e os avisos sobre a “liberdade por cumprir”

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As comemorações dos 52 anos da Revolução dos Cravos decorreram, pela primeira vez, ao ar livre. Mário Passos destacou a transformação de um concelho “rural” num “município competitivo”, enquanto a oposição esgrimiu argumentos sobre o estado da democracia, o peso da máquina municipal e os perigos do retrocesso social.

O sol que aqueceu a manhã de sábado nos Paços do Concelho serviu de moldura para uma celebração do 25 de Abril marcada por dois tons distintos: o otimismo institucional do executivo e a acutilância crítica dos partidos da oposição. No 52.º aniversário da Revolução, a dicotomia entre o “caminho percorrido” e os “desafios da liberdade” dominou os discursos de uma sessão solene que, perante a extensão das intervenções e a meteorologia, trocou o auditório pelo exterior do edifício municipal.

Do “concelho rural” ao “palco nacional”

Mário Passos, presidente da Câmara Municipal, abriu o protocolo com uma retrospetiva focada na evolução socioeconómica. Recuando cinco décadas, o autarca recordou um território de “matriz rural” e “elevados níveis de pobreza”, contrastando-o com a realidade atual. “Hoje, somos um dos mais dinâmicos e competitivos municípios do país. Somos um território afirmado, reconhecido e respeitado”, afirmou Passos, sustentando que os indicadores atuais validam a trajetória de crescimento das infraestruturas e da indústria famalicense.

Oposição alerta para “retrocessos” e “despesismo”

Se o discurso do edil se focou nos números e no desenvolvimento, as bancadas da oposição trouxeram para o debate as feridas abertas da democracia e a gestão interna da autarquia.

Tânia Silva (CDU) lançou um aviso severo sobre a “normalização do retrocesso”, apontando ataques a minorias e um discurso crescente de desvalorização das mulheres. “Abril não está a mais, Abril está por cumprir”, declarou, criticando a transformação da diferença em “ameaça”.

Pela Iniciativa Liberal, Paulo Lopes direcionou o foco para a gestão financeira do executivo, classificando-a como “despesista”. O deputado criticou a aprovação do novo organigrama que “duplica o número de chefias” e o objetivo da autarquia de atingir os 2.300 funcionários, com gastos em pessoal superiores a 50 milhões de euros. Lopes aproveitou ainda para saudar a importância da imprensa livre, destacando o papel da imprensa na garantia do pluralismo sem censura. “Na liberdade política, eu gostava de vos falar hoje aqui do papel da comunicação social livre. E não o posso fazer sem referenciar o Opinião Pública famalicense e o Notícias de Famalicão, que nos últimos anos me têm permitido escrever livremente, sem nenhum tipo de censura, e sabendo que dar voz à oposição muitas vezes tem represálias”, disse.

Já João Pedro Castro (Chega) lamentou a “descrença do povo na classe política”, pedindo gestores com maior “discernimento” e criticando o que considera ser um alheamento das funções políticas em favor de papéis de “críticos gastronómicos ou promotores de espetáculos”. Por seu turno, Tiago Oliveira (CDS-PP/JP) centrou-se no combate ao que apelidou de “monopólio da esquerda” sobre os valores de Abril, defendendo que a liberdade pertence tanto ao Estado Social como ao mercado livre.

Descentralização e o Legado dos Jovens

O Partido Socialista, pela voz de Bruno Domingos, trouxe o debate para a proximidade das freguesias. O autarca exigiu uma “descentralização real”, criticando a transferência de competências que não seja acompanhada por recursos financeiros e humanos. “Não basta executar tarefas delegadas, é necessário autonomia de decisão”, vincou.

As intervenções partidárias seguiram Daniela Torres (JSD), que reclamou o legado de Abril para as novas gerações. Num discurso pragmático, a líder da JSD rejeitou a “demagogia e o populismo”, assegurando que a juventude famalicense está preparada para ser protagonista na vida pública, independentemente de não ter vivido a revolução de 1974.

A fechar, usou da palavra o líder da Comissão Política do PSD de Famalicão, Paulo Reis, que deixou o aviso: “o interesse comum se deve sobrepor ao individual”. Ver notícia no link.

O limite da decência

A encerrar a sessão, o Presidente da Assembleia Municipal, João Nascimento, recuperou um tema recorrente: a degradação do debate político. Embora reconhecendo que quem exerce cargos públicos deve estar sujeito a um escrutínio rigoroso, Nascimento alertou para a “normalização da ofensa” e a invasão da esfera pessoal, defendendo que a liberdade de expressão não pode ser confundida com “ataque pessoal” ou “ruído”.

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