Famalicão
Paulo Reis avisa que no PSD de Famalicão “interesse comum é maior do que o individual”
Na sessão solene do 25 de Abril, o novo líder da Concelhia do PSD sublinhou o papel dos partidos como “pilares” da democracia. Num discurso focado no coletivo, Reis deixou recados implícitos contra “dimensões personalistas de poder” e apelou a um “alinhamento estratégico” entre eleitos e estruturas partidárias.

Paulo Reis, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD
O discurso de Paulo Reis, presidente da Comissão Política Concelhia do PSD, nas comemorações dos 52 anos da Revolução, foi uma defesa acérrima da instituição partidária e do projeto coletivo que governa Famalicão desde 2001. Num momento de assumida tensão interna entre a estrutura do partido e o executivo liderado por Mário Passos, Reis recuperou o pensamento de Sá Carneiro para balizar o que deve ser o exercício do poder local.
Contra o “Personalismo”
Embora tenha dedicado parte da intervenção a enaltecer o sucesso da coligação “Mais Ação Mais Famalicão”, Paulo Reis não evitou as “diretas” políticas. “Falar de partidos, e do PSD em particular, é afirmar a garantia de que o interesse comum é maior do que os interesses individuais”, afirmou, sublinhando que a visão de sociedade deve assentar em “princípios coletivos e não em dimensões personalistas de poder”.
As palavras do líder da concelhia surgem numa altura em que a relação com o Presidente da Câmara é marcada pelo distanciamento. Ao enfatizar que a comunidade é “maior do que o individualismo”, Paulo Reis pareceu delimitar o terreno de atuação de quem detém cargos públicos, lembrando que a legitimidade e o sucesso do projeto autárquico pertencem à estrutura e não apenas aos rostos que a representam.
Apelo ao alinhamento estratégico
Olhando para a “próxima década”, o dirigente social-democrata foi claro quanto ao que espera dos eleitos: “cooperação estratégica” e “proximidade nas decisões”.
“Partidos e eleitos deveremos ser capazes de construir um alinhamento de ideias, forças e projetos”, defendeu Paulo Reis, num apelo à unidade que soou, simultaneamente, como uma exigência de maior diálogo entre a Câmara Municipal e a estrutura partidária.
A Herança de 25 Anos
Recordando que o PSD é o suporte do poder autárquico em Famalicão há um quarto de século, Paulo Reis reivindicou para o partido o papel de “garante da prosperidade” do concelho. Contudo, avisou que o futuro exige “alinhamento estratégico e complementar entre as diversas forças vivas”, sugerindo que ninguém deve governar de costas voltadas para as instituições que servem de base à democracia local.
A intervenção terminou com um compromisso de serviço, mas o recado ficou dado: para a Concelhia do PSD, o partido é a “marca maior” e o projeto coletivo deve sobrepor-se a qualquer ambição ou estilo de governação individual.
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