Famalicão
Padre Artur Gonçalves assume cargo de capelão na Escola de Sargentos do Exército nas Caldas da Rainha
Natural de Vieira do Minho, mas com o coração já enraizado em Vila Nova de Famalicão, o Padre Artur Gonçalves celebra, este ano, três décadas de sacerdócio. Contudo, o seu percurso não se esgota no púlpito das igrejas por onde passou. No passado dia 8 de abril, o sacerdote retomou uma das suas grandes paixões: a vida militar. Após um interregno de dez anos para fins académicos, Artur Gonçalves voltou a vestir a farda para assumir o cargo de capelão na Escola de Sargentos do Exército (ESE), nas Caldas da Rainha.
O regresso aconteceu após um período de 16 anos de serviço (entre 2000 e 2016) e uma década de licença sem vencimento. “Realmente este ‘bichinho’ ficou, pela forma sempre como fui tão bem acolhido no seio das Forças Armadas, onde fiz tantos e tantos amigos”, confessa o sacerdote, sublinhando a importância de acompanhar a estrutura militar: “Acho que era interessante e importante a continuação desta missão da Igreja também neste mundo castrense”.
Entre Lousado e as Caldas da Rainha
A rotina do Padre Artur é agora marcada pela estrada. Todas as segundas-feiras ruma às Caldas da Rainha, percorrendo os cerca de 270 quilómetros que separam a vila de Lousado da Escola de Sargentos. Regressa a Famalicão às quartas-feiras ao final do dia, para se dedicar inteiramente aos seus paroquianos.
Apesar do cansaço das viagens e da dualidade de funções, o sacerdote garante que os dois mundos se cruzam naturalmente. “As pessoas são as mesmas, o público é diferente. Claro que numa paróquia temos outra abrangência e no mundo militar temos outra. Mas digamos que é algo que se complementa”, explica. Esta dinâmica só é possível, afirma, graças à compreensão da comunidade de Lousado, que tem acolhido com entusiasmo a missão militar do seu pároco.
O “irmão mais velho” no terreno
Para Artur Gonçalves, ser capelão vai muito além do protocolo militar ou das celebrações religiosas. Define o seu papel como o de um conselheiro e de um apoio moral num ambiente que, muitas vezes, exige grande resiliência emocional.
“O capelão é aquele que está presente, que vai acompanhando as pessoas nas suas alegrias, nas suas dificuldades. Digamos que é um irmão mais velho que faz caminho e que ajuda a que os outros vão discernindo também um projeto de vida”.
Esta faceta de apoio foi testada em cenários de maior tensão, como as três missões internacionais no Kosovo (2008, 2011 e 2015) em que participou. Nesses contextos, o capelão era muitas vezes o elo de ligação entre os militares e as suas famílias em momentos de dor, como o falecimento de entes queridos em Portugal. “Procurava cuidar da alma, do corpo, da pessoa na sua totalidade, procurando que cada militar tivesse o equilíbrio necessário para que pudesse desempenhar da melhor forma a sua missão”, refere.
O pároco defende que a Igreja deve estar onde as pessoas estão e que a farda é apenas uma ferramenta de aproximação. “Acho que o importante é mesmo a pessoa e o padre, independentemente da roupa que tem por cima. Acho que é a capacidade de ser esta ponte entre Deus e as pessoas. Depois, a farda ou a roupa é um acessório para esta manifestação e para o desenvolvimento deste trabalho”, conclui, reforçando que o seu norte será sempre o serviço ao próximo, em qualquer “campo de batalha” da vida.
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