Famalicão
Parque da antiga Central de Camionagem de Famalicão: Os 160 lugares gratuitos onde estacionar se tornou “uma aventura”
Dois meses após a reabertura do espaço, que esteve encerrado para estudos técnicos, o terreno gerido pela autarquia famalicense acumula crateras, matagal e danos nas viaturas. Enquanto a Câmara Municipal de Famalicão negoceia a renovação do arrendamento, os utilizadores denunciam o abandono do local.
Encontrar um lugar de estacionamento gratuito no centro da cidade é um trunfo valioso para centenas de famalicenses, mas o parque situado nos terrenos da antiga Central de Camionagem, nas imediações da Avenida Marechal Humberto Delgado, está a cobrar um preço elevado em desgaste mecânico. Volvidos dois meses desde a sua reabertura ao público, o espaço apresenta um cenário de acentuada degradação que motivou duras críticas por parte dos automobilistas que ali deixam diariamente os seus veículos.
O parque de estacionamento, que disponibiliza 160 lugares sem custos para os utilizadores, foi arrendado pela Câmara Municipal de Famalicão em 2023 numa ótica de mitigação da falta de estacionamento na zona central. No entanto, entre 26 de fevereiro e 11 de março passados, o espaço encerrou temporariamente as suas portas. Segundo explicou a autarquia na altura, a interrupção resultou da necessidade de realizar um estudo técnico solicitado pelo proprietário do terreno, optando-se pelo fecho preventivo enquanto decorriam os trabalhos de avaliação no local.
A realidade do terreno: Obstáculos e destroços





Se os utilizadores esperavam que o período de encerramento trouxesse melhorias à superfície do parque, a reabertura trouxe a confirmação de que nenhuma obra de requalificação estava planeada. No terreno, o cenário atual assemelha-se mais a um campo de obstáculos do que a uma infraestrutura municipal de apoio. A erosão abriu buracos profundos e desníveis acentuados no asfalto e na terra batida, criando degraus que ameaçam a integridade física das viaturas. O impacto é de tal ordem evidente que, no chão repleto de gravilha, é possível encontrar destroços de plástico e proteções inferiores de para-choques que se soltaram dos automóveis.
A precariedade do espaço estende-se à sinalização dos perigos. Em várias secções do parque, aluimentos de terra e crateras maiores encontram-se vedados apenas por redes de obra de plástico cor de laranja, presas de forma rudimentar por estacas de ferro. A par disso, a falta de manutenção ambiental faz-se notar pelo crescimento descontrolado de vegetação silvestre, com grandes arbustos a invadirem os lugares de estacionamento e a condicionarem as manobras de rotação.
Condutores sem alternativa em zona de forte pressão
“O nosso dia-a-dia é isto, ultrapassar obstáculos, como rampas muito elevadas que danificam a estrutura dos carros, buracos que são autênticas crateras; enfim, estacionar e circular neste parque é uma aventura; e não há alternativa nesta zona”, desabafou um automobilista em declarações ao jornal Opinião Pública.
As últimas informações da Câmara Municipal de Famalicão dão conta que esta já terá encetado contactos com o proprietário do terreno com o objetivo de assegurar a renovação do acordo de cedência. Resta agora saber se as negociações incluirão uma cláusula urgente de reparação do piso, de forma a garantir que os 160 lugares continuem disponíveis, mas sem os prejuízos mecânicos que agora impõem aos condutores famalicenses.
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