Famalicão
PS Famalicão contesta cobrança no futuro parque de estacionamento subterrâneo junto ao Centro de Saúde
O Partido Socialista (PS) de Famalicão questionou o Executivo Municipal sobre a intenção de implementar a cobrança de estacionamento no futuro parque subterrâneo, atualmente em construção junto ao Centro de Saúde da cidade. Para os socialistas, a medida pode traduzir-se num entrave direto ao acesso à saúde pública.
O tema foi levado à recente reunião da Assembleia Municipal pela deputada socialista Carla Faria. Na sua intervenção, a eleita sublinhou que a aplicação de taxas de estacionamento num equipamento que serve, primordialmente, uma unidade de saúde pública “poderá representar um obstáculo ao acesso aos cuidados de saúde”, correndo o risco de penalizar, em especial, “idosos e famílias com menores recursos económicos”.
Em causa está a empreitada de construção do parque de estacionamento subterrâneo e a respetiva requalificação da zona envolvente das Unidades de Saúde Familiar (USF) Alto da Vila e Nova Estação. A obra representa um investimento municipal na ordem dos 2,68 milhões de euros (mais IVA) e prevê a criação de cerca de 80 novos lugares (48 subterrâneos e cerca de 30 à superfície). Esta intervenção decorre em simultâneo com a requalificação do próprio Centro de Saúde, um projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) num valor de 2,8 milhões de euros.
Dúvidas sobre o custo-benefício e o modelo de gestão
Embora o PS reconheça a urgência na criação de novos lugares naquela zona da cidade — uma carência agravada pela eliminação de lugares em intervenções urbanísticas anteriores —, o partido levanta reservas quanto à relação custo-benefício da empreitada.
Feitas as contas pelos socialistas, o investimento camarário de 2,68 milhões de euros traduz-se num custo superior a 34 mil euros por cada novo lugar de estacionamento. O partido nota ainda que o valor da construção do parque é praticamente idêntico ao custo de toda a requalificação estrutural do Centro de Saúde.
Outra das grandes preocupações prende-se com o modelo de gestão do espaço, que ainda não é totalmente conhecido, sabendo-se apenas que será sujeito a tarifação. Neste contexto, os socialistas confrontaram o executivo da coligação PSD/CDS-PP para apurar a justificação desta cobrança e questionaram se está nos planos da autarquia a concessão da exploração do parque a uma entidade externa. Caso essa concessão avance, o PS exige saber quais os critérios que ditarão a escolha.
Para os socialistas famalicenses, a premissa é clara: o acesso à saúde “deve ser facilitado e não onerado”, princípio que consideram estar em risco com as futuras barreiras financeiras no estacionamento.
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