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Famalicão

Mário Passos desafia o PSD, chumba homenagem a ex-autarcas e avisa: “Não tenho medo de nada”

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A crise política na maioria de Vila Nova de Famalicão consumou-se de forma irreversível na manhã desta sexta-feira, 3 de julho de 2026. No final da reunião extraordinária realizada à porta fechada, o presidente da Câmara, Mário Passos, confirmou aos jornalistas ter votado contra a proposta do PS para homenagear os antigos autarcas Agostinho Fernandes e Armindo Costa, desvalorizando formalmente a orientação de voto favorável que tinha sido aprovada, quinta-feira, por unanimidade pela comissão política concelhia do seu próprio partido (PSD).

O desfecho da polémica reunião extraordinária do executivo camarário confirmou os piores cenários de instabilidade política para a coligação “Mais Ação Mais Famalicão”. Confrontado com a decisão unânime da direção local do PSD, que exigia um voto favorável à atribuição dos nomes dos ex-presidentes à Casa das Artes e ao Parque da Devesa, Mário Passos optou pelo confronto direto com a estrutura partidária que o elegeu.

Em declarações à imprensa, no final dos trabalhos, o presidente da Câmara explicou os motivos que o levaram a chumbar a recomendação dos socialistas, classificando-a duramente como uma iniciativa “claramente antidemocrática” e “mal-intencionada”. O autarca argumentou que, num momento em que se comemoram os 50 anos do poder local, a proposta do PS pecava por ser “seletiva e facciosa”, uma vez que decidia homenagear apenas dois antigos presidentes, “subtraindo” deliberadamente da história os outros três ex-autarcas social-democratas (José Carlos Marinho, Antero Martins e Paulo Cunha).

Mário Passos foi mais longe e acusou o Partido Socialista de profunda hipocrisia política. “O próprio Partido Socialista, ao longo da história, disse tão mal do arquiteto Armindo Costa, que nós defendemos de unhas e dentes”, recordou o presidente, sublinhando que ainda na última Assembleia Municipal os socialistas atacaram o legado do arquiteto, apelidando a construção do icónico Parque da Devesa de “uma negociata”. “E depois apresentam esta proposta desta forma? Obviamente que também é uma das razões pelas quais votámos contra”, sentenciou, garantindo que a decisão não se prende com os nomes em si, mas sim com a recusa em “apagar uma parte da história de Famalicão”.

O tabu partidário e o fantasma da retirada de confiança

O momento de maior fricção na conferência de imprensa ocorreu quando Mário Passos foi confrontado com o facto de ter votado contra a vontade expressa da comissão política concelhia do PSD, liderada por Paulo Reis, que tinha emitido uma diretriz clara de aprovação ao documento. Na resposta a uma questão levantada pelo Opinião Pública, o presidente da Câmara recusou-se terminantemente a lavar a roupa suja do partido em público: “Não tenho o hábito de discutir aqui, na minha condição de Presidente de Câmara, considerações partidárias”. Passos remeteu o diferendo para o “fórum próprio” e para o “espaço próprio” das instâncias do partido, chegando mesmo a ensaiar uma postura de aparente distanciamento ao afirmar: “Nem sei do que é que está a falar”, apesar de, de acordo com fonte do PSD local contactada pelo Opinião Pública, o edil ter dado a conhecer a sua declaração de voto à comissão política, no decurso do dia de ontem.

Questionado diretamente sobre se temia que esta posição ditasse a retirada da confiança política por parte do PSD ou o fim da coligação com o CDS-PP, Mário Passos respondeu de forma contundente:

“Eu não tenho medo de nada. Sou eleito pelos famalicenses, estou aqui a trabalhar de cara levantada, alegre, entusiasmada, a terminar o maior investimento da história de Vila Nova de Famalicão (…), Portanto, eu tenho que prestar contas é aos famalicenses.”

O edil lembrou o seu histórico eleitoral de 2021 e a “votação reforçada” obtida em 2025 para vincar que apenas se sujeita ao julgamento dos munícipes nas urnas.

A polémica da porta fechada e o programa alternativo

Mário Passos fez também questão de desmentir que o caráter reservado da reunião de hoje tenha sido uma manobra cirúrgica para abafar o debate ou afastar os olhares da comunicação social. “Sempre foi assim, já pelo menos há 20 anos. (…) A lei obriga a uma reunião pública por mês. Nós aprovámos duas reuniões públicas. E as extraordinárias sempre foram à porta fechada. (…) Não há aqui nenhuma regra nova, foi estabelecido pelos meus antecessores e bem”, justificou.

A fechar, o presidente revelou que o programa oficial aprovado pela Câmara para celebrar as cinco décadas de poder local decorrerá entre 12 de dezembro de 2026 e 25 de abril de 2027. Mário Passos apelou a que todos os partidos políticos se unam em torno destas comemorações globais, deixando um último reparo ao PS por tentar conturbar o ambiente democrático com propostas fracionadas.

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