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Famalicão

“Uma enorme hipocrisia”: Carta explosiva de Armindo Costa desarma Mário Passos e consuma o terramoto político em Famalicão

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A divulgação da carta privada do Arquiteto Armindo Costa, antigo e histórico presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão entre 2001 e 2013, deitou por terra a narrativa política e os argumentos jurídicos utilizados por Mário Passos para chumbar a proposta de homenagem aos antigos autarcas. No texto, o fundador da coligação “Mais Ação Mais Famalicão” desautoriza por completo o atual executivo, acusa Passos de provocar um “embaraço” institucional e impõe um veto absoluto a qualquer “proposta alternativa” com o seu nome.

O terramoto político que abala as estruturas do poder local em Famalicão ganhou contornos de rutura definitiva com o conhecimento integral da missiva assinada por Armindo Costa. Dirigida originalmente ao núcleo duro dos sociais-democratas e centristas locais e tornada pública após um polémico vazamento digital, a carta expõe a profunda indignação do homem que liderou o concelho durante 12 anos com a forma como o atual executivo geriu o processo democrático.

Mais do que uma reação pessoal, o documento surge como um manifesto cívico e de fidelidade aos princípios fundacionais do partido, isolando ainda mais Mário Passos na sequência do seu polémico voto contra na reunião extraordinária à porta fechada.

O desprendimento do poder e a lição de Sá Carneiro

Armindo Costa inicia a missiva recuperando a legitimidade histórica de quem governou o município ao longo de três mandatos com a “confiança absoluta dos Famalicenses”. Evocando uma das máximas mais célebres de Francisco Sá Carneiro, o antigo autarca sublinha que nunca encarou “(…) a política como uma carreira, nem sequer como uma profissão”, mas sim como “correspondência a um dever de cidadania”.

O arquiteto vinca que exerceu as suas funções com o “desprendimento de quem não precisava da política para viver, e com a liberdade de quem nunca precisou dela depois”. São precisamente esse desprendimento e essa liberdade, aliados a uma estrita “ética republicana”, que o antigo presidente aponta como as condições que permitiram erguer e levar a Coligação Mais Ação Mais Famalicão ao poder, mantendo-se como a força maior do concelho um quarto de século depois. O ex-presidente do município recorda o “salto extraordinário de qualidade de vida, de desenvolvimento e de projeção” desses mandatos, mas esclarece que a sua equipa sempre encarou o trabalho como “uma obrigação, um dever e uma missão”, razão pela qual nunca aceitou ou pediu, enquanto esteve em funções, qualquer honra formal, medalha ou título municipal.

Cortesia democrática contra o arrastamento na praça pública

O pomo da discórdia — a proposta apresentada pelo Partido Socialista para rebatizar o Parque da Devesa e a Casa das Artes com os nomes de Armindo Costa e Agostinho Fernandes — merece da parte do antigo edil uma defesa convicta em nome do pluralismo. Armindo Costa confessa ter-se sentido honrado por ver o partido derrotado nas urnas ter tido o gesto de, no cinquentenário do poder local, reconhecer o papel que os dois antigos rivais desempenharam pelo crescimento da sua terra.

“Parece-me da mais elementar cortesia democrática que a proposta, estando conforme, seja aceite, analisada e votada pelo órgão a que é submetida”, dispara, desarmando o argumento de Mário Passos de que se tratava de uma iniciativa “antidemocrática”. O histórico social-democrata não esconde o “imenso desconforto” por ver o seu bom nome, o trabalho das suas antigas equipas e a dignidade dos seus mandatos serem “arrastados para a praça pública pelos partidos e pelo executivo municipal”. Para Costa, a atual liderança falhou na sua “obrigação primeira de defender a nossa história”, ignorando a “mais elementar lealdade institucional e política que se exige nestes casos”.

O “embaraço” de Mário Passos e o veto irrevogável

A indignação do antigo presidente adensa-se pelo facto de a proposta ter sido recusada à discussão por duas vezes sem que nenhum dos líderes locais da maioria o tivessem contactado.

A poucos dias da reunião extraordinária da Assembleia Municipal de 10 de julho, a maioria absoluta em Famalicão enfrenta assim uma crise de sobrevivência de contornos inéditos.

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