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Famalicão

Entrevista: “Os candidatos do Chega não andam atrás de quem os favorece mais”

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Natural de Seide, Victor Sousa é empresário do setor de publicidade e artes gráficas, é presidente da Concelhia do Chega de Famalicão, desde a sua fundação em dezembro de 2020, e encabeça a candidatura do partido às eleições autárquicas de 26 de setembro. Crítico dos partidos tradicionais, diz que o Chega quer dar oportunidade ao cidadão comum de participar na vida política e aponta a habitação social como uma das suas principais bandeiras eleitorais.

OPINIÃO PÚBLICA: O Chega é um partido recente, que concorre pela primeira vez às autárquicas, o que tem para o oferecer aos famalicenses?

Victor Sousa: Não é muito uma questão do que temos para oferecer. Não oferecemos nada a ninguém; as pessoas é que têm de olhar para a nossa ideologia, para os nossos valores, para o nosso programa político e ou se identificam ou não se identificam. São as pessoas que nos trazem os seus problemas e nós tentamos ajudar, dentro daquilo que nos é possível, porque não estamos no poder político, na autarquia e nas freguesias. O que queremos é que as pessoas nos ajudem a ir para os lugares onde, realmente, se decide.

O que o levou a encabeçar a candidatura? Já tinha tido experiência política?

Experiência política a sério, não tenho. Estive ligado ao CDS, na altura na juventude centrista, quando tinha 14 anos, ou seja, nem sequer tinha direito de voto. Depois, na segunda candidatura de Armindo Costa fui convidado a fazer parte de uma lista para uma junta de freguesia e é a única experiência autárquica que tenho.

E este ano decidiu, então, encabeçar a candidatura do Chega…

No Chega, isto não funciona como nos partidos que estão cá há mais tempo, como o PSD, o PS e por aí fora. Não temos uma lista de espera para ser candidato. Temos muita gente que se identifica com o partido – as pessoas ligam-me, mandam mensagens – mas quando são convidadas, têm medo. Têm medo de represálias, de serem enxovalhados no facebook, porque tudo o que o Chega faz ou diz é sempre escrutinado até ao milímetro. Chamam-nos racistas, nazis xenófobos… eu nunca tive ligado a essas ideologias. Nasci em Angola e tenho muitos amigos de outras raças e de outras etnias.

Isso não se ficará a dever a posturas mais radicais que o partido tem tomado sobre determinados assuntos?

Não, o que sei é que há questões que são fraturantes na sociedade e que as pessoas têm medo de falar e de abordar. O que me levou a candidatar pelo Chega é a identificação que tenho com a sua ideologia e política.

O que pode fazer por Famalicão?

O partido, está a dar oportunidade às pessoas que não tiveram experiência política, principalmente nas autarquias. São pessoas comuns, que não têm nenhum passado político, que não andam a saltar de para PSD para PS e depois para independentes, ou seja, que não andam atrás de quem lhes favorece mais. Diria que 90% das pessoas das nossas listas para a Câmara e Assembleia Municipal e para as freguesias estão nessa situação.

Isso é um fator positivo?

Sim, porque neste momento a política está dominada pelos políticos de carreira. A política começou a ser tomada de assalto por determinadas pessoas, que querem fechar o acesso ao cidadão comum. E basta ir a uma assembleia de freguesia para verificar que não há cidadãos, os eleitores não estão lá a participar. Vemos também isso na Câmara Municipal em que sai o vereador Leonel Rocha para Ribeirão e, em troca, vem o sobrinho do atual presidente da Junta para a Câmara Municipal.

Nas nossas listas, temos gente de vários quadrantes. O meu candidato a Fradelos, por exemplo, tem uma empresa de eventos e em 70% do tempo anda vestido de palhaço. E alguns gozam: o Chega tem um palhaço como candidato. Mas ele trabalha honestamente… E essa atitude também não é ser discriminatório? Também não é xenófoba?

Além de Fradelos também apresentaram candidato em Ribeirão. Vão concorrer em mais freguesias?

Já temos as candidaturas fechadas em Gavião e Pousada de Saramagos e estamos a trabalhar para Antas, para Joane e para S. Cosme, Telhado e Portela. Contamos apresentar, no mínimo, listas para 10 juntas de freguesia, o que já é muito bom.

Quais são as áreas prioritárias que farão parte do seu manifesto eleitoral?

São várias, como a segurança, a educação, a saúde e o desporto, a habitação, o ambiente e a área social. Mas há questões relacionadas com a habitação que queremos focar porque, com esta pandemia, houve muitas famílias que ficaram sem emprego e outras que viram reduzidos os seus rendimentos e que têm dificuldades em pagar as rendas e ter uma habitação digna. Defendemos mais apoios para estas famílias, nomeadamente através da habitação social. Neste momento, ninguém sabe como está a habitação social no concelho, quem está lá, quem não está, se há um casal a viver em T3…

Acha que a Câmara não está a controlar essa situação?

Não está. Não sabem quantas pessoas usufruem de habitação social, em que condições… nada.

E que outros problemas urgem resolver em Famalicão?

Obras públicas. Caso o Chega eleja vereadores suficientes para ter alguma força, uma das propostas que vamos fazer é a realização de uma auditoria à Câmara Municipal, quer em relação à sua estrutura interna, quer aos contratos que têm sido feitos. Nunca vi tantas obras a serem feitas em Famalicão, mas isto tem um só pretexto: satisfazer a necessidade de quem está no poder. Há situações que são urgentes e que estão há anos para serem tratadas.

Como por exemplo?

Há freguesias que ainda não têm boa cobertura de água e saneamento, mas fazem-se passeios e jardins para as pessoas irem lá passear o cão. Outro exemplo são as obras no centro da cidade: oito milhões de euros para a praça D. Maria II, que não sabemos quando vai acabar, que está a dificultar a vida a todos os comerciantes da zona e a todas as pessoas que se querem deslocar. Está tudo a ser feito à pressa, sem acautelar a segurança da obra. Tudo por questões eleitorais. O mandato são quatro anos, não é só um.

Quais os objetivos eleitorais do partido? Acha que tem condições para ser eleito vereador?

Aquilo que acontecer é o que os eleitores quiserem. Só eles sabem se querem dar oportunidade a um partido que chegou à pouco tempo, mas que tem ideias para Famalicão. Naturalmente, o objetivo passará sempre por eleger um vereador e ter, é claro, representação da Assembleia Municipal e mesmo nas assembleias de freguesia.

Está prevista a vinda a Famalicão do líder do partido durante a campanha ou pré-campanha?

Está previsto que André Ventura venha ao distrito de Braga por três vezes e esperamos que uma delas seja a Famalicão. É algo que está a ser analisado.

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