Famalicão
Chega vs. Humanamente: Marcha LGBT divide em Famalicão
A realização da quarta edição da Marcha LGBTQIAP+ que ocorreu em Vila Nova de Famalicão, no último sábado, 11 de julho, está a provocar troca de acusações entre a comissão política concelhia do Chega e o movimento cívico Humanamente, entidade organizadora do evento. A força partidária rotulou a iniciativa de “mero exibicionismo instrumentalizado pela extrema-esquerda. A organização do protesto, por seu turno, respondeu de forma veemente, acusando o partido de hipocrisia e evocando escândalos judiciais e políticos que afetam o partido tanto a nível nacional como local.
Chega fala em “comercialização de causas”.
Num comunicado enviado à imprensa, a estrutura local do Chega criticou duramente a manifestação, alegando que o verdadeiro propósito dos grupos promotores se prende com a obtenção de financiamento público e com a promoção de uma agenda de extrema-esquerda, num processo que apelidou de “comercialização das causas”. A comissão concelhia do Chega acusou também os promotores da marcha de utilizarem uma “estratégia de vitimização” para ocultar propósitos fraturantes, entre os quais a “destruição da família” como base da sociedade e a defesa de políticas de imigração descontroladas. O setor educativo foi igualmente visado nas críticas, com o partido a acusar os organizadores de tentarem “instrumentalizar e doutrinar” as crianças e os jovens através da chamada cultura woke. Paralelamente, o Chega manifestou apreensão com o teor de algumas performances públicas e com a presença de menores na marcha, embora tenha salvaguardado que a sua oposição se dirige exclusivamente “à imposição de agendas ideológicas na sociedade e não à vida pessoal de cada indivíduo”.
Humanamente acusa partido de “hipocrisia”
Em resposta direta a esta tomada de posição, o porta-voz do movimento Humanamente, Diogo Barros, classificou as críticas do Chega como uma reação “revoltante” e acusou o partido de hipocrisia. Para o ativista, é incoerente que uma força política que se apresenta publicamente como defensora da moral e dos bons costumes tente dar lições de conduta social à comunidade, “enquanto enfrenta graves escândalos internos no seio da sua própria organização”. Para sustentar a acusação o porta-voz do movimento cívico evocou processos judiciais mediáticos de âmbito nacional, mencionando as acusações de crimes sexuais contra menores que pendem sobre o ex-candidato autárquico Rui Pedro Moreira e sobre o deputado municipal Nuno Pardal.
No plano local, a contestação da Humanamente incidiu sobre os próprios representantes famalicenses do partido. Diogo Barros dirigiu-se diretamente ao também vereador Pedro Alves, que terá sido recentemente alvo de um processo interno de averiguações, alegadamente por ter incentivado “desacatos e pressões internamente”. Diogo Barros aconselhou Pedro Alves “a concentrar as suas atenções na resolução dos seus problemas partidários em vez de criticar a manifestação pela liberdade e igualdade”. O movimento cívico concluiu defendendo a legitimidade do protesto do último fim de semana, como um ato de cidadania e de luta contínua pelos direitos fundamentais do ser humano.
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