Famalicão
Rutura consumada em Famalicão: PSD retira confiança política a Mário Passos e dita fim histórico da coligação com o CDS
Conclave da estrutura local na última noite desidrata o poder do atual presidente da Câmara, que fica formalmente fora das contas para as autárquicas de 2029. O empresário e ex-líder partidário Fernando Costa é o nome mais forte para a sucessão.
Numa reunião de emergência da estrutura local do PSD, os sociais-democratas consumaram o divórcio com o atual presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, deliberando a retirada imediata de confiança política ao líder do executivo. O Opinião Pública sabe que a decisão, de cariz irreversível, já foi formalmente comunicada aos presidentes de Junta de Freguesia eleitos pela coligação, sinalizando o início de um novo ciclo político no concelho.
A deliberação da comissão política é o culminar de um longo processo de desgaste e representa uma punição direta à insubordinação de Mário Passos. Confrontado recentemente pelos jornalistas após ter desafiado as orientações explícitas do seu próprio partido no polémico dossiê das homenagens aos ex-autarcas, o edil tinha endurecido o discurso: “Eu não tenho medo de nada. Sou eleito pelos famalicenses, estou aqui a trabalhar de cara levantada, alegre…”. A resposta do partido foi cirúrgica e musculada, deixando Passos politicamente isolado.
O rastilho das homenagens e a memória de Armindo Costa
O terramoto que ontem sacudiu os bastidores partidários teve como rastilho a recusa de Mário Passos em agendar e incluir na ordem de trabalhos da reunião de executivo de 11 de junho a proposta do PS para homenagear os antigos presidentes de Câmara Agostinho Fernandes (PS) e Armindo Costa (PSD-CDS). Apelidada pela oposição de “bloqueio sistemático” e de atropelo às regras democráticas, a intransigência do presidente não colheu simpatia na própria estrutura do PSD, então liderada por Paulo Reis.
A direção local reuniu-se e emitiu uma orientação unânime para que os seus eleitos votassem a favor do documento dos socialistas. “Ao votar contra e forçar o chumbo da iniciativa numa reunião extraordinária subsequente, Mário Passos quebrou a disciplina partidária e cavou o seu próprio abismo dentro do partido que o levou ao poder”, disse fonte da CPC laranja ouvida pelo Opinião Pública.
Uma fratura antiga: Das “linhas vermelhas” ao desaire de 2024
Para os analistas locais, esta rutura não é um exclusivo do presente, mas sim o desfecho previsível de uma fratura estrutural que se arrasta há mais de dois anos. Os primeiros sinais públicos de subsidência surgiram em março de 2024, nas eleições internas para a Concelhia do PSD. Numa demonstração clara de perda de tração interna, Mário Passos encabeçou uma lista que saiu derrotada pelo projeto de Sofia Fernandes. A agora deputada à Assembleia República — que, ironia do destino, passara pelo executivo de Passos como vereadora — assumiu as rédeas do partido a nível local e impôs uma agenda de maior escrutínio à governação.
A tensão atingiu o ponto de ebulição em setembro de 2025, durante a complexa gestação das listas para as eleições autárquicas. Na altura, Sofia Fernandes acusou publicamente o presidente da Câmara de ultrapassar “linhas vermelhas”, apontando que Mário Passos validara as exigências do CDS-PP para a plataforma conjunta, mas rejeitara, de forma sistemática, as indicações legítimas do seu próprio partido.
O fim da coligação “Mais Ação, Mais Famalicão” e os cenários para 2029
A decisão tomada na última noite produz efeitos imediatos na arquitetura política do concelho e dita a dissolução prática da coligação “Mais Ação, Mais Famalicão”. Fundada pelo Arquiteto Armindo Costa nas autárquicas de 2001, a aliança entre o PSD e o CDS-PP governou o município ao longo do último quarto de século, resistindo a várias crises, mas implodindo agora sob a liderança de Mário Passos.
Com a retirada de confiança política, o PSD fecha definitivamente a porta a uma recandidatura de Passos em 2029. O cenário abre caminho a duas interrogações imediatas: Saber se Mário Passos decidirá manter o braço de ferro e avançar com uma candidatura independente nas próximas autárquicas; e definir quem assumirá o testemunho para liderar a lista social-democrata.
Nesta última vertente, fontes partidárias de relevo confirmaram ao Opinião Pública que o processo de sucessão já mexe nos bastidores. O nome mais bem posicionado e que recolhe maior consenso para encabeçar o projeto do PSD em 2029 é o do empresário famalicense Fernando Costa, figura respeitada no tecido económico da região e ex-presidente da Comissão Política Concelhia. O atual presidente da CPC Paulo Reis, remeteu para mais tarde uma posição pública sobre o assunto.
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