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Famalicão

PSD confirma retirada de confiança política a Mário Passos e autarca acusa “grupo restrito” de contornar regras do partido

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O email estava agendado para ser disparado às 8 horas da manhã de hoje, anunciando, oficialmente que a Comissão Política Concelhia de Famalicão do PSD haveria retirado a confiança política ao presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, e aos restantes vereadores eleitos pelo partido.

A missiva veio ainda anexada por uma captura de ecrã com o objetivo de desmentir Mário Passos, que durante o dia de ontem afirmava desconhecer a posição daquela estrutura política:

Duas horas mais tarde, surge a resposta do autarca, que se declarou “incrédulo”, contestando a legalidade das reuniões e apontando o dedo a uma fação interna que acusa de colocar os interesses do aparelho acima do interesse público.

A decisão da estrutura local do partido foi formalizada através de uma resolução política enviada por correio eletrónico aos visados no início da manhã de 16 de julho. Como o Opinião Pública noticiou, na base da tomada de posição está o recente voto contra do executivo camarário à homenagem institucional ao antigo presidente da Câmara, Armindo Costa, contrariando a orientação expressa da Concelhia para que o documento fosse viabilizado por voto favorável ou abstenção.

Para o PSD-Famalicão, a atitude de Mário Passos representou o culminar de um historial de desrespeito pelas diretrizes do partido, agravado por declarações públicas após a reunião de Câmara que a Concelhia considerou constituírem um desafio injustificado. A estrutura partidária sublinha que o autarca tinha garantido, dias antes, que viabilizaria a proposta do PS, tendo invertido a sua posição sem qualquer aviso prévio.

No comunicado desta manhã, a Concelhia lamenta ter sido forçada a esta medida extrema em defesa dos valores partidários e do legado de Armindo Costa, cujo mandato iniciado em 2001 pôs fim a 19 anos de governação socialista no concelho: “Os famalicenses confiaram, antes de mais, numa candidatura, num programa, numa coligação de partidos, numa equipa e num conjunto de valores. Em democracia, os partidos são muito mais do que instrumentos eleitorais.”

Mário Passos fala em “estranheza” e denuncia falta de convocatórias

Por seu turno, Mário Passos afirmou-se surpreendido pela deliberação. O autarca alega “absoluta estranheza” perante o teor das informações e questiona a legitimidade do processo, argumentando que nunca foi convocado para a reunião da Comissão Política desta semana, órgão do qual faz parte por inerência de funções.

O autarca atribui a decisão a um “pequeno grupo de pessoas que se julga dono do partido” e que procura subordinar o município a estratégias de controlo interno ou jogos de poder. Passos reforça ainda que o seu compromisso é com o mandato democrático recebido dos cidadãos e com o investimento histórico em curso no concelho, recusando ceder a interesses facionais.

“Sou do PSD e continuarei a ser fiel aos seus princípios fundadores”, vincou Mário Passos, garantindo que continuará a exercer as suas funções com a serenidade e dedicação a Vila Nova de Famalicão.

Apesar da rutura drástica, o PSD de Famalicão clarificou que esta retirada de confiança política não transformará o partido em oposição ao executivo camarário, uma vez que esse papel cabe legalmente às forças derrotadas nas últimas eleições. Não obstante, deixa o aviso: “Manteremos a atenção a todas as áreas da governação que afetam os famalicenses e Famalicão e que ponham em causa as conquistas de Abril e os valores fundamentais dos 50 anos do Poder Local.

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