Famalicão
O que pensam os famalicenses sobre o Volta?
O objetivo do sistema “Volta” é claro: promover a reciclagem. Na prática, traduz-se no pagamento de um valor adicional de 10 cêntimos por cada lata ou garrafa de plástico adquirida, montante que é devolvido ao consumidor quando a embalagem é entregue nos equipamentos de recolha. O reembolso pode ser feito em dinheiro físico, vales de desconto ou crédito em cartão de fidelização (com validade de um ano).
No entanto, o processo exige cumprir algumas regras: a embalagem tem de ser entregue intacta, vazia, com tampa e com o código de barras perfeitamente legível. O desconhecimento destas normas tem levado à introdução de embalagens não elegíveis nos equipamentos dos supermercados, resultando frequentemente em máquinas avariadas ou paradas.
A voz dos famalicenses: “É um trabalho extra”
Para perceber a adesão à medida, o OPINIÃO PÚBLICA à rua procurar saber a opinião dos famalicenses. Humberto Lima, que garante já fazer a separação do lixo em casa, admite que não utiliza nem pretende utilizar o novo sistema.
“Pode ser muito bem intencionado, mas julgo que não vai resolver o problema. Para já, porque as pessoas não estão para ter em casa um depósito de material para reciclar e depois levá-lo ao supermercado ou onde se encontram as máquinas. Não se poupa tempo”, argumenta. Para este consumidor, o sistema acaba por ser uma penalização financeira: “O meu caso, por exemplo, é esse. Para mim, o que isto significa é que cada produto custa mais 10 cêntimos. Portanto, a minha opinião neste momento não é muito positiva”. Questionado sobre um eventual alargamento do sistema no futuro, por exemplo, às garrafas de vidro, Humberto Lima é perentório, classificando essa hipótese como “péssima” e criticando a “vulgarização do sistema”.
Uma visão partilhada por Álvaro Júnior, que também já tem enraizado o hábito da reciclagem e vê o “Volta” como uma complicação desnecessária. “Sempre separei plástico, metal e vidro, sempre os coloquei nos contentores, por isso não acho que fosse necessário colocar este sistema”, explica. Sobre o impacto na carteira, o famalicense alerta que este “é um trabalho extra que, se não for feito, faz com que se acabe por perder dinheiro”.
Nova solução em Esmeriz e prazo à porta
Para dar resposta aos constrangimentos logísticos, sobretudo para quem acumula muitas embalagens, Famalicão dispõe agora de uma nova solução. No parque de estacionamento das oficinas gerais municipais, na freguesia de Esmeriz, foi instalada uma máquina direcionada a restaurantes, hotéis, cafés ou grandes consumidores. Este equipamento de alta capacidade permite depositar diretamente até 120 embalagens por cada ciclo, poupando o trabalho de inserção manual uma a uma.
Paralelamente à adaptação dos consumidores, também o comércio local corre contra o tempo. Os estabelecimentos comerciais têm apenas até ao próximo dia 10 de agosto para conseguirem escoar todo o stock de bebidas que não inclua o símbolo do “Volta”. Ultrapassada esta data, a venda desses artigos sem a nova sinalética fica proibida.
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