Famalicão
Negócio de 200 milhões da Cabelte acende debate na Câmara: PS levanta dúvidas sobre permuta de terrenos e Mário Passos alega poupança municipal
A reunião do executivo municipal de Vila Nova de Famalicão ficou marcada por um aceso confronto político em torno da permuta de terrenos destinada a viabilizar a expansão da empresa Cabelte. Enquanto o Partido Socialista (PS) questiona a transparência da operação, o aumento do valor de avaliação e os prazos do processo, o presidente da Câmara, Mário Passos, defende que a solução garante um investimento industrial de 200 milhões de euros e poupa cerca de 400 mil euros aos cofres do município.
O ponto de maior fricção na sessão desta quinta-feira centrou-se na operação imobiliária que envolve dois prédios distintos: um terreno em Fradelos, destinado à construção de equipamentos públicos e espaços verdes, e um terreno municipal em Ribeirão, contíguo às instalações da Cabelte, necessário para a expansão da unidade fabril.
PS fala em opacidade e estranha valorização de 25%
Pela voz da vereadora Cláudia Vieira, a oposição socialista manifestou sérias reservas quanto aos contornos do negócio e à fundamentação do recurso ao mecanismo de permuta. O PS recordou que já existia uma deliberação camarária, datada de 15 de maio de 2025, para a aquisição direta do terreno de Fradelos pelo valor de 380 mil euros, a qual não teve qualquer desenvolvimento prático por parte dos serviços municipais.
“Não é fácil de compreender para nós, e penso que para qualquer munícipe, que haja uma deliberação da Câmara em maio de 2025 e que essa deliberação não tenha tido nenhuma consequência. Há aqui uma valorização do terreno em 20% ou 25% que também não se percebe. O que é que mudou ali? De repente, aquilo passou a ter mais infraestruturas?”, questionou a vereadora socialista.
Cláudia Vieira estranhou ainda que o valor do terreno tenha subido de 380 mil para 497 mil euros e pôs em causa a utilidade da triangularização com a Cabelte, sublinhando a ausência de justificações claras sobre o motivo pelo qual a autarquia não avançou para a compra direta quando a opção estava contratualizada.
Mário Passos invoca interesse nacional e poupança de 400 mil euros
Em resposta às críticas da oposição, o presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, refutou as acusações de opacidade e sustentou a decisão na oportunidade estratégica surgida com o projeto de expansão da Cabelte — classificado como Projeto de Interesse Nacional (PIN), à semelhança do investimento da Continental Mabor.
Segundo o autarca, a fábrica prevê aplicar cerca de 200 milhões de euros e criar sensivelmente 400 postos de trabalho no concelho para a produção de cabos de média e alta tensão direcionados para a transição energética europeia. Para a concretização do projeto, a empresa necessitava impreterivelmente do lote municipal contíguo em Ribeirão — uma parcela sem viabilidade prática isolada para o município.
“Nós queríamos e queremos o terreno em Fradelos para equipamentos desportivos e um parque. Em maio de 2025 tínhamos um único caminho: comprar. Entretanto, surge a oportunidade deste grande investimento da Cabelte. Em vez de a Câmara gastar dinheiro a comprar um terreno em Fradelos e vender o de Ribeirão, juntámos as duas partes e fazemos uma permuta. A Câmara deixa de gastar 400 mil euros no terreno e viabiliza um investimento de 200 milhões de euros no concelho”, sustentou Mário Passos.
O autarca reforçou que o objetivo inicial do município se manteve inalterado, argumentando que a solução encontrada defende os dinheiros públicos e maximiza a atração de investimento industrial para Vila Nova de Famalicão.
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