Famalicão
Mesmo com vinda dos emigrantes, inflação trava negócios na feira semanal: “Vêm quatro e compra um”
O mês de agosto traz a habitual enchente à feira semanal de Vila Nova de Famalicão, impulsionada pelo período de férias e pelo regresso dos emigrantes. No entanto, o cenário de corredores cheios contrasta com o volume de negócios registado. A braços com o encarecimento do custo de vida, os consumidores compram em menor quantidade, uma realidade confirmada pelos comerciantes locais.
Nas bancas do recinto, o movimento é visível, mas a conversão em vendas efetivas abrandou. Carlos Silva vende meias e sublinha que o mês garante “sempre um bom negócio”, até porque muitos emigrantes procuram os têxteis nacionais pela sua qualidade. Contudo, o comerciante reconhece a mudança no comportamento de quem visita a feira: “Antigamente vinham quatro, compravam quatro; agora vêm quatro e compram um”, exemplifica.
A contenção nos gastos não é exclusiva de quem vem de fora. Manuela Dias, também comerciante, nota uma ligeira melhoria nas vendas própria da época, mas afirma que o balanço geral “está mais fraco” em comparação com anos anteriores. A vendedora destaca a falta de poder de compra generalizada: “Os emigrantes dizem que não podem levar tanto, que as coisas também estão muito caras lá fora, e o nosso pessoal aqui nem se fala, está pela rua da amargura”.
No setor da alimentação, o cenário reflete a mesma preocupação económica, com os clientes a tentarem esticar o orçamento. Albertina Novais, vendedora de fruta, refere que o seu produto continua a ter saída por ser uma alternativa mais em conta face às grandes superfícies. “Como o nível de vida está muito caro, as pessoas procuram as feiras, porque conseguem um produto mais fresco e preços melhores, comparando com outros locais”, explica. A comerciante acrescenta ainda que a partilha de produtos cultivados nos quintais familiares, num ano de boa produção agrícola, também influencia as vendas.
Em suma, os relatos recolhidos no terreno convergem numa justificação partilhada por quem está atrás das bancas: a pressão sobre os orçamentos familiares dita hoje as regras do consumo, levando residentes e visitantes a ponderar cada despesa, mesmo no tradicional pico do verão famalicense.
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