Cultura
Jovens músicos famalicenses regressam a casa para a 8.ª edição da Jovem Orquestra
A Jovem Orquestra de Famalicão (JOF) regressa para a sua oitava edição consecutiva, assumindo-se novamente como o ponto de encontro de dezenas de jovens músicos antes do regresso às principais escolas e orquestras europeias. O culminar de uma semana de ensaios intensivos acontece este fim de semana, com dois espetáculos agendados para o Porto e para Vila Nova de Famalicão.
Para muitos dos participantes locais, o estágio da JOF representa um regresso às origens. É o caso de Sofia Azevedo, violoncelista natural de Brufe, que se encontra a concluir o mestrado em Antuérpia, na Bélgica. Presente desde a primeira edição, a jovem famalicense descreve o projeto como o arranque da sua temporada: “Isto quase que é o início do meu ano, conseguir recomeçar em casa junto com as pessoas que eu já conheço há tanto tempo”. Sobre a fixação em Portugal, a instrumentista confessa que “o coração está sempre em Portugal” e que “no futuro gostava de voltar”.
Este sentimento é partilhado por Miguel Rocha, concertino da orquestra, que estuda em Salzburgo, na Áustria. Acompanhando o projeto desde a sua fundação, o músico nota a evolução do grupo. “No início era o mais novo, agora sou dos mais velhos, e vejo as novas gerações também com vontade de aprender connosco e de fazer música connosco”, refere. Questionado sobre a possibilidade de regressar ao país, admite que “são projetos como este que fazem acreditar que é possível voltar”.
A orquestra funciona também como um espaço de partilha com músicos de outras regiões. Duarte Maia, clarinetista natural da Maia e atual membro da Orquestra Sinfónica de Sevilha, sublinha a importância desta troca de experiências. “Trocamos ideias com colegas que estudaram noutros países, noutras escolas, noutras orquestras, outras maneiras de ver a música”, explica, acrescentando que, embora seja complicado devido à falta de vagas, também gostaria de trabalhar em Portugal no futuro.
A liderar esta residência artística está o maestro famalicense José Eduardo Gomes, que destaca a renovação natural do grupo ao longo destes oito anos. “Aqueles que não conseguem participar é normalmente porque já têm trabalho em orquestras ou estão nas suas escolas e não conseguem vir, e então dão a oportunidade a novas pessoas”, aponta. O diretor artístico salienta ainda as condições de trabalho proporcionadas pela JOF, que alia “um rigor e uma preparação boa” a um “ambiente relaxado”, onde há “tempo de ensaio, espaço e calma, coisa que muitas vezes no mundo profissional não há”.
O programa deste ano, com a duração de 90 minutos, foca-se no repertório sinfónico russo. A primeira parte será preenchida com o Concerto para Piano n.º 2 de Sergei Rachmaninoff, que contará com a prestação do solista famalicense Luís Magalhães. Na segunda parte, a orquestra interpretará “Scheherazade”, de Nikolai Rimsky-Korsakov.
Os concertos decorrem esta sexta-feira, dia 4 de setembro, na Casa da Música do Porto (21h30), e no sábado, dia 5, na Casa das Artes de Famalicão (18h00).
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