Famalicão
Padre famalicense Joaquim Silva regressa à Etiópia e promove angariação de fundos
O padre missionário comboniano Joaquim Silva, natural da freguesia de Jesufrei, Famalicão, prepara-se para regressar à Etiópia no início do mês de outubro. O sacerdote de 51 anos regressa ao país onde esteve em missão durante uma década, entre 2009 e 2019, com o objetivo de dar continuidade ao seu trabalho de promoção humana e evangelização.
Para apoiar a missão e as comunidades locais, o seminário dos Missionários Combonianos, em Antas, acolhe no próximo domingo o evento solidário “Mesa, Música e Missão”. A iniciativa contará com momentos de convívio, um workshop, jogos apoiados pelos escuteiros e um concerto da Banda Missio, agendado para as 15h00.
Durante a sua primeira permanência na nação africana, o padre Joaquim Silva trabalhou com o povo Gumuz, numa região a cerca de 530 quilómetros da capital, Adis Abeba. “Estive a trabalhar entre o povo Gumuz, que é ainda hoje um dos povos mais marginalizados na Etiópia, tendo sido sempre escravos de outras tribos”, explica o sacerdote.
A sua atuação no terreno tem-se focado em suprir carências fundamentais da população. O missionário salienta que a prioridade é a promoção humana “através da criação de condições básicas que não existem normalmente em países pobres, especialmente na educação e na saúde”. Além disso, o projeto já incluiu o investimento na escavação de poços de água e no ensino de jardins de infância.
O novo regresso à Etiópia está intimamente ligado a um projeto em curso para a construção de uma escola com capacidade até ao 8.º ano de escolaridade. Explicando o forte apelo de regressar a África, o padre afirma que o principal motivo é o “sentir-se a fazer algo necessário, útil e importante, que marca a diferença”. A verdadeira transformação, assegura, passa por valorizar os jovens locais e “fazer entender a esta gente que não são como os outros os pintam, acusam e marginalizam, mas sim pessoas com muitos valores, uma inteligência e alegria incríveis, além de uma grande capacidade de resiliência”.
As verbas angariadas através dos consumos e doações no evento de domingo vão reverter integralmente para os projetos de saúde e educação na Etiópia. O padre Joaquim Silva alerta que, apesar da boa vontade de quem quer doar bens materiais, como material escolar, o transporte é um obstáculo logístico. Por este motivo, privilegia-se o apoio financeiro: “A angariação de fundos é o ideal porque é sempre muito mais fácil a aplicação lá, onde sabemos que o pouco que chega acaba por ser transformado em muito, porque se divide, se partilha e chega muito longe”.
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