Famalicão
Vandalismo em memorial de antigos combatentes em Brufe gera onda de revolta e prejuízo de 30 mil euros
A freguesia de Brufe, em Famalicão, foi alvo de um ato de vandalismo que resultou no furto das placas identificativas do mural de homenagem aos antigos combatentes da Guerra do Ultramar. O monumento, inaugurado em 2009, foi despojado dos nomes dos homenageados, gerando um forte sentimento de indignação na comunidade e um prejuízo financeiro avultado para os cofres da autarquia local.
Segundo as estimativas preliminares da Junta de Freguesia de Brufe, a remoção do painel danificado e a sua total reconstituição deverão implicar custos a rondar os 25 mil a 30 mil euros. No entanto, para os responsáveis e para a população, o dano moral sobrepõe-se ao material.
O presidente da Junta de Freguesia, Carlos Gomes, condena o ato, descrevendo-o como um desrespeito frontal aos que combateram. “Não conseguimos ter explicação para este atentado. Isto foi mexer com a memória do povo, mas essencialmente com estes homens que lutaram nas colónias. Acho que foi uma atrocidade muito grande para com eles”, sublinhou.
Visivelmente emocionado, o autarca confessou que o caso o afeta a nível pessoal, por ser filho de um antigo combatente. Carlos Gomes lamentou ainda o que considera ser uma desvalorização da história, apontando que “esta nova geração não tem noção do que isto custou, de que muitos deles perderam a vida”, lembrando também a “amargura” sofrida pelas famílias que aguardavam notícias. “Enquanto pessoa, enquanto filho de um ex-combatente, mexeu comigo”, acrescentou.
Para quem viveu a guerra na primeira pessoa, o cenário deixado no monumento gerou descrença. Mário Cardoso, ex-combatente de Brufe, não esconde o impacto do sucedido: “É com grande tristeza que eu vejo isto. O que mais me marcou foi o Ultramar, que vivi sempre e continuo a viver intensamente. Isto dói”. Relembrando que a passagem pelo conflito “foi dura”, considerou que a ação vandalizadora está “muito mal feita” e “não é de aceitar”.
Na mesma linha, Fernando Pinheiro, também antigo combatente, classificou a profanação do espaço como “inqualificável” e uma “falta de respeito” sem palavras que a descrevam. “Isto foi uma tristeza muito grande para quem tem aqui o nome e para quem lutou muito pelo país. Ninguém foi voluntário para lá, fomos obrigados. Fomos como vai o gado para o matadouro”, recordou.
O ato de vandalismo surge num momento particularmente sensível para estes veteranos. Fernando Pinheiro revelou que, no passado dia 14 de setembro, foi formalmente criada uma associação de antigos combatentes da qual faz parte, estando já em preparação uma cerimónia a realizar junto ao monumento no próximo dia 8 de novembro.
A Junta de Freguesia de Brufe confirmou que já foi apresentada queixa às autoridades policiais, que se encontram a investigar o caso e a tentar identificar os autores do furto. Apesar do impacto emocional e financeiro, a autarquia assegura que fará todos os esforços necessários para repor a normalidade do mural, garantindo que a memória e a honra dos antigos combatentes da freguesia não serão esquecidas.
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