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Famalicão

Moradores de Joane vivem “pesadelo” com circulação constante de camiões junto a habitações

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Cerca de 70 a 80 famílias residentes nos edifícios habitacionais da Rua de Laborins, na vila de Joane, em Vila Nova de Famalicão, mostram-se indignadas com a intensa movimentação diária de tratores e camiões num terreno contíguo às suas casas. Desde o início deste ano, a tranquilidade do local foi substituída por elevados níveis de ruído, poeira e odores intensos, afetando drasticamente a qualidade de vida da população.

Sílvia Salazar, uma das moradoras afetadas, lamenta o cenário diário: “O que se está aqui a passar é desrespeito pelas pessoas que moram aqui nos prédios, porque é sempre entrada e saída constante de camiões, é o barulho, é o pó”. A residente sublinha que a situação é “super incomodativa” e que já chegou ao seu limite, recordando também os problemas com a lama durante a época das chuvas. Após alertar as entidades competentes, Sílvia Salazar revelou ter recebido uma resposta da autarquia famalicense: “Já recebi uma resposta da Câmara a dizer que realmente há aqui uma ilegalidade, que a fiscalização ia entrar ao serviço para ver exatamente o que é que se pode fazer”. A moradora questiona ainda a falta de um alvará ou de informação sobre a finalidade e duração da intervenção naquele espaço.

O descontentamento é subscrito por Rosa Martins, também residente na zona, que aponta as dificuldades sentidas nas tarefas mais básicas do quotidiano. “Não se pode abrir uma janela, um bocadinho que seja. As varandas, nada se pode, não se pode secar uma roupa cá fora, não se pode pôr nada, porque é tudo sujo”, relata. Descrevendo o último verão como “difícil”, Rosa Martins lamenta a transformação de um local calmo numa zona conturbada, sublinhando o impacto que as centenas de camiões têm causado: “Isto mexe com o sistema nervoso e mexe até com a saúde das pessoas”.

Confrontado com esta realidade, o Presidente da Junta de Joane, Alberto Fernandes — que é também morador num dos prédios afetados —, confirma conhecer os incómodos, mas ressalva que se trata de um terreno privado e que a Junta de Freguesia não tem competência direta sobre a obra. Ainda assim, garante que os passos institucionais já foram dados junto do município. “Nós já pedimos um parecer à fiscalização da Câmara Municipal em que eles estão ocorrentes da situação. Até à data ainda não me foi enviada qualquer informação sobre este espaço. Estou a aguardar serenamente”, declarou o autarca, acrescentando não fazer ideia se existe ou não licenciamento para as movimentações de terras em curso.

Enquanto aguardam por uma resposta e intervenção dos serviços de fiscalização da Câmara Municipal, Alberto Fernandes apelou à prudência e aconselhou o fecho do terreno privado, de forma a evitar o uso indevido do mesmo como espaço público.

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