Famalicão
Fatura da água, saneamento e resíduos sobe 4% em 2026
A Câmara de Famalicão aprovou, na passada quinta-feira, as atualizações da tarifa do Ambiente para 2026. A tarifa da água não sobe, ao contrário das da recolha do lixo e do saneamento, que vão sofrer aumentos. No total, a fatura, que engloba os três serviços, sofrerá uma atualização de 4% a partir de janeiro.
O vereador do Ambiente, Hélder Pereira, justificou este aumento com o próprio agravamento que as empresas concessionárias daqueles serviços impõem ao Município. Destaca, sobretudo, a recolha de resíduos, que terá um novo serviço em 2026, que custará ao município mais 120%, ou seja, o novo contrato prevê que o Município passe a pagar à entidade prestadora 59,68 euros por cada tonelada de resíduos recolhida, ao invés dos atuais 27 euros.
“O que decidimos foi não aumentar a água, aumentar o saneamento à taxa que o fornecedor nos aumentou e no que diz respeito aos resíduos o Município vai acomodar 100% do aumento, fazendo apenas refletir no munícipe os restantes 20%”, explicou Hélder Pereira aos jornalistas, acrescentando que o objetivo é que, no total, a atualização não seja superior a 4%, seu seja, que em média, o aumento mensal não exceda 1 a 1,5 euro.
O vereador salienta que “não é do interesse do Município aumentar tarifas”, mas que não teve alternativa, face às atualizações impostas pelos fornecedores, vincando que, mesmo assim, o orçamento municipal irá acomodar mais de um milhão de euros para não os repercutir nos munícipes”. E conclui: “mesmo assim, Famalicão mantém-se na lista dos concelhos da região com as tarifas mais baixas” nesta área.
De referir ainda que a tarifa social não sofrerá qualquer atualização em 2026, mantendo-se inalterado o apoio às famílias mais vulneráveis do concelho. Quanto à Taxa de Recursos Hídricos (TRH) e à Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) – verbas entregues diretamente ao Estado e repercutidas obrigatoriamente aos munícipes – apenas a TRH sofrerá atualização de acordo com o fornecedor de água.
PS vota contra, Chega abstém-se
Os vereadores do Partido Socialista votaram contra estas atualizações, por entenderem que se trata de um aumento dos encargos para as famílias. Eduardo Oliveira em declarações à imprensa, no final da reunião, reforçou que o seu partido não compara Famalicão com os outros concelhos. “O que nos importa é a nossa comunidade e que os famalicenses possam ver as suas despesas reduzidas no seu dia a dia para terem mais qualidade de vida”.
O socialista lembra que o partido tinha apresentado uma proposta para reduzir os impostos, concretamente o IMI, que foi chumbada pela maioria que governa o município, lamentando que, agora, a Câmara Municipal “aprove este aumento de tarifas, penalizando novamente as famílias”.
Já Pedro Alves, vereador do Chega optou pela abstenção. Aos jornalistas, explicou que o seu partido não é a favor deste aumentos, mas “tem consciência de que foram os fornecedores que aumentaram os valores e que a Câmara fez tudo o que pôde para aumentar apenas aquilo que era o estritamente necessário”.
Considera, contudo, que “há casos específicos” que se deveriam ter em conta, dando como exemplo as pessoas que vivem em Telhado, S. Cosme e Portela, “que têm sofrido” com as obras que estão em curso, precisamente de instalação da rede pública de água. Nesse sentido, adiantou que o Chega irá apresentar uma proposta “para que estas pessoas não se sintam prejudicadas”.
Na reunião de Câmara, o vereador do Ambiente anunciou também, que no próximo ano, as freguesia serão contempladas com um novo serviço de recolha de resíduos verdes.
Na reunião da passada quinta-feira foram também aprovadas as tarifas para o transporte público rodoviário de passageiros. Os passes e títulos pré-comprados – que são os mais usados – não aumentam. Já os bilhetes simples sofrerão um agravamento de 2,21%.
Recolha de resíduos verdes nas freguesias
Na reunião de Câmara da passada quinta-feira, o vereador do Ambiente anunciou que, em 2026, as freguesias do concelho serão contempladas com um novo serviço de recolha de resíduos verdes.
“Vamos criar uma ‘ilha ecológica’ em todas as freguesias, colocando um contentor de grande dimensão para que as pessoas possam ali colocar os resíduos verdes, resultantes de limpeza de jardins, de podas e de outras atividades agrícolas que façam”, explicou Hélder Pereira.
Muitas pessoas colocam este tipo de resíduos nos sacos de lixo comuns, por não terem alternativa, a não ser depositá-los no Ecocentro, em Esmeriz, o que faz com que acabem no lixo indiferenciado.
“Termos percebido que entre um quarto e um terço do lixo que vai no saco são resíduos verdes, que podem ser valorizados. Portanto, vamos avançar com esta medida para, por um lado, aumentar os níveis de separação e, por outro, dar comodidade aos munícipes que passam a ter um local mais próximo para depositar estes resíduos”, conclui o vereador.
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