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Opinião

Ubiquidade

Publicado

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Por Domingos Peixoto

Há pessoas assim, têm uma capacidade inata para estar em vários sítios ao mesmo tempo, desempenhar funções distintas e geograficamente dispersas em simultâneo, exercer uma função subordinada em conjunto com a da autofiscalização!

Trata-se sempre de pessoas sobredotadas, coisa que só acontece, que tenhamos conhecimento por divulgação da comunicação social, nos altos cargos de direção e gestão de empresas públicas e privadas, por vezes em funções do próprio Estado, seja na administração central, descentralizada ou desconcentrada!

É uma “virtude” que nunca, mas por nunca ser, é capaz de ter um varredor, um trolha, um empregado de escritório, um operário fabril, apesar de haver quem “goste” de dizer que, a estes níveis profissionais, há pessoas que estão a trabalhar e no café ao mesmo tempo; pelo menos em tempos relativamente recentes glosavam-se esses epítetos acerca de “funcionalismo público”!

O que acontece com frequência é que as pessoas ubíquas são-no apenas no recebimento de vários salários (por vezes chorudos), como forma de compensar remunerações baixas que, por esta forma, acabam compensadas pela sua “dedicação”!

Espécie de ubiquidade é o que acontece com a gestão de várias empresas em cadeia, do/s mesmo/s proprietário/s controladas por uma “holding”. Empresas, aquelas, que muitas vezes só têm a gestão e, ou dão muito lucro, ou justificam as “perdas”, como forma de fugir aos impostos devidos normalmente. Um exemplo apenas de propaganda, tirado “ao calhas” de uma rede social: “Aproveite o regime fiscal mais atrativo da Europa, em Malta. Contacte-nos! Investimentos. Madeira. Malta. Serviços: Investimento, Trading, Holding, Registo de Navios.”

Claro, tudo legal nos “paraísos fiscais”, não há governo nem União Europeia que “mexa” nisto, porque vigoram as “democráticas” leis de mercado!

Um exemplo concreto muito recente passa-se entre nós que, aliás, tem vindo a provocar um grande escândalo, pelo menos na comunicação social e na oposição ao governo, tem a ver com aumentos extravagantes a alguns gestores da TAP, quando sabemos que está em curso um profundo plano de reestruturação da companhia aérea, que implica milhares de despedimentos e redução significativa de vencimentos!

Eu “sei que a luta” é sobretudo política, a não ser isso havia partidos que só abririam a “boca para pedir mais sangue”!

Os aumentos são indecorosos, diz-se… O governo justifica que se trata da assunção, por acumulação, de novas funções das pessoas contempladas. E vai mais longe: fica, ainda, mais barato do que se não substituísse as pessoas que deixam a empresa!

Também sei que há sempre razões pró e contra cada uma das decisões, disso não tenho dúvidas, mas, “caraças”, as pessoas vão estar em duas funções ao mesmo tempo, vão aumentar ao número de horas de trabalho? Ou passam agora a cumprir o horário completo?

De outra coisa tenho a certeza, esses diretores e gestores sobrenaturais não são, logo não há nenhuma hipótese de serem ubíquos. Acresce que o estatuto social a que se alcandoraram enquanto gestores, nomeadamente da TAP, em nada ficaria beliscado, bem pelo contrário, se viessem a “sofrer” de alguma alteração remuneratória apenas para quando a reestruturação estivesse a produzir efeitos em pleno e Portugal e os portugueses soubessem que, afinal não iam ser chamados a “dar mais uns tostões” para suprir as necessidades da empresa de bandeira e esta pudesse ser vendida a privados com lucro…

Uma coisa sabem os portugueses: isto continua e vai estar muito mau para os “trabalhadores”, nunca para os gestores, que também são trabalhadores (especiais); veja-se o caso dos prémios aos gestores do Novo Banco quando o Estado continua a ser chamado a supri prejuízos de milhões!

Ubiquidade, os portugueses pagam que se fartam!

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