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Opinião

A outra saída de Paulo Cunha

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Por António Cândido Oliveira

O QUE DISSE – No dia 11 de maio de 2021 Paulo Cunha dirigiu-se aos famalicenses como presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, anunciando a sua saída da política e assim a não recandidatura a terceiro mandato nas próximas eleições autárquicas. Paulo Cunha afirmou que a política não é uma profissão e que deseja regressar à sua atividade anterior de advogado e docente universitário. Disse ainda que tinha exercido funções autárquicas durante 12 anos, oito dos quais como presidente da Câmara e sentia-se realizado, tendo posto Famalicão no mapa.  Agora, continuou, vem aí dinheiros da Europa, entre eles a “bazuca” e é preciso ter à frente da Câmara outra pessoa com horizontes de médio e longo prazo e não apenas de quatro anos como sucederia se concorresse de novo (dada a lei de limitação de mandatos).

A OUTRA SAÍDA – Só que o presidente poderia ter optado por outra saída. O que aí vem, em termos europeus, é muito importante para o município, esperando-se muito dinheiro e assim possibilidade de executar bons projetos. Ora, nada mais natural que Paulo Cunha, para bem do concelho, se colocasse à frente de uma equipa renovada e coesa para enfrentar os novos desafios, concorresse às eleições, pois teria boas possibilidades de ganhar, dado o resultado que obteve em 2017, e ganhando as eleições fosse preparando a sua saída, tendo na equipa alguém que se revelasse como líder e estivesse em condições de ganhar as eleições de 2025, continuando a via do progresso do município que referiu. É claro que esta via implicava dedicação por mais algum tempo, mas não seria assim muito. Julgo que os famalicenses compreenderiam que a meio do mandato desse o lugar a novo protagonista, mantendo-se a equipa. Ficou por explicar por que não seguiu esta via que é a mais comum e seria, a meu ver, a melhor para a coligação PSD/CDS de que faz parte.

O QUE NÃO DISSE E OUTROS ASPETOS – Mas há outros aspetos na comunicação de Paulo Cunha que importa salientar. Por um lado, não disse que saía da política em geral. Não consta, na verdade que saia dos cargos políticos que ocupa no PSD a nível concelhio e distrital. Continua, neste aspeto a ser um importante quadro político do PSD. Por outro lado, embora dirigindo-se aos famalicenses, falou como presidente de câmara e seria natural que tivesse, no anúncio da saída, uma palavra para os vereadores que o acompanharam e não teve. Também seria natural que tivesse uma palavra para a coligação que sempre o apoiou e principalmente para o PSD local e não teve. Pode não ter sido intencional, mas era curial.

ELEIÇÕES 2021 – É claro que esta saída de Paulo Cunha, que teve repercussão nacional (programa “Governo Sombra”), veio modificar a disputa eleitoral no município. Veremos de que modo. O que mais interessa é que tenhamos boas listas nas eleições de outubro.

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