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Opinião

Férias: tempo dos “palavreados silêncios”

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Aproveitando o fim do ano letivo, sabendo que uma parte dos leitores já está de férias ou que estas já se aproximam, não quis deixar de dedicar umas palavras a este período do ano tão primordial para todos nós.

Bem sei que há diferentes tipologias, diferentes destinos, diversas formas de as vivenciar.

Mas sei, acima de tudo, que a forma como as vivemos, a forma como vamos encadeando cada vivência, pode influenciar diretamente a forma como encararemos todos os desafios ao longo do ano.

Desde que planeio as minhas férias em família, vivo sempre neste limbo nem sempre fácil de concretizar: preciso muito de um tempo só para mim, sabendo obviamente que jamais me sinto completo sem ter a minha família comigo.

Tal como dizia Maria Guinot “Às vezes é no meio do silêncio. Que descubro as palavras por dizer.”, eu também preciso de algum silêncio, de algum recolhimento, não para descansar dos outros, mas antes para voltar a encontrar-me comigo mesmo.

Quer no exercício da minha profissão, quer nas diferentes relações de amizade que vou desenvolvendo, tento pautá-las diariamente por uma contínua proximidade e entrega.

Neste sentido, tal como qualquer dispositivo eletrónico, tento, aquando das férias, recarregar a minha bateria emocional da melhor forma que sei, para poder, ao longo do restante ano, distribuir essa energia acumulada da melhor forma que sei a todos aqueles que me rodeiam.

Por isso, mais do que me preocupar com o limbo entre isolamento e partilha, agora foco-me em que os meus silêncios ou os meus isolamentos resultem sempre em atos ou em palavras que promovam encontros, relações ou vivências grupais.

Talvez esteja a ser demasiado egocêntrico, mas sinto que este é um sentimento que muitos de vós já poderão ter sentido.

Assim, mais do que partilhar este meu sentir, o meu desejo é que cada silêncio, isolamento ou fuga de que desfrutem nestas férias se transforme em encontro, diálogo e partilha.

Partilha de um livro lido, diálogo relativo ao jornal que acabou de ler, troca de impressões relativo à caminhada que fez sozinho…

Tantos exemplos possíveis de vivências singulares que ganharão certamente um novo brilho para si e para os outros, pois a vida já ensinou que a felicidade só se sente plena quando partilhada com os nossos!

Umas boas férias para si para os seus!

Alexandre Lemos é famalicense, professor de 1º ciclo

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