Opinião
Habitação, mobilidade e emprego: preparar hoje o Famalicão de amanhã
Na política, há dois erros fáceis – dizer que está tudo mal ou fingir que está tudo bem. Nenhum desses caminhos serve Vila Nova de Famalicão. O que serve Famalicão é verdade, rigor e capacidade de agir.
Por isso, a habitação e a mobilidade têm de estar no centro do debate. Não são temas secundários. São decisivos para a vida das famílias, para a competitividade do concelho e para a capacidade de atrair e fixar pessoas. Num território industrial como Famalicão, estas políticas estão também diretamente ligadas ao emprego. Sem casas acessíveis e sem transportes eficientes, as empresas têm mais dificuldade em contratar e reter trabalhadores. E quando isso acontece, trava-se o crescimento económico.
É aqui que se mede a visão de quem governa.
A habitação é hoje um dos maiores problemas do país. Os preços subiram, o crédito está mais difícil e a oferta continua insuficiente. Famalicão sente este problema com particular intensidade.
Num concelho que cria emprego e atrai investimento, a pressão sobre a habitação é ainda maior. Todos os dias chegam novas famílias e novos trabalhadores que querem viver perto do seu local de trabalho. Mas a oferta continua longe de responder a essa procura. Garantir habitação acessível é, por isso, também uma forma de apoiar o emprego, fixar população e reforçar o desenvolvimento económico.
É verdade que ainda há muito por fazer. Mas também é falso dizer que nada está a acontecer. Nas próximas semanas, o Município vai entregar cerca de duas centenas de novos fogos habitacionais e existe o compromisso de construir mais 400 durante este mandato. Trata-se de um passo relevante e de uma demonstração clara de vontade política para aumentar a oferta pública de habitação.
Mesmo assim, a pergunta mantém-se, chega? A resposta é clara, não chega! O dinamismo económico e industrial de Famalicão continuará a pressionar o mercado habitacional. A resposta tem de ser contínua, ambiciosa e articulada, envolvendo o Município, o Estado, o IRHU e a iniciativa privada.
Mas há um problema que continua a atrasar projetos e a bloquear soluções, a burocracia. O IRHU tem de assumir a sua responsabilidade. Em vez de acelerar processos, continua, demasiadas vezes, a prolongá-los com pedidos sucessivos de documentos, muitas vezes repetidos, como se os elementos já entregues não tivessem sido devidamente analisados. Precisamos de um Estado mais proativo, capaz de criar soluções em vez de criar entraves. É necessário simplificar procedimentos e delegar efetivamente mais competências nos municípios, permitindo-lhes responder com maior rapidez às necessidades das populações.
Se queremos enfrentar de forma séria a crise da habitação, temos de reduzir tempos de decisão, eliminar burocracia desnecessária e confiar mais nas autarquias, que conhecem melhor do que ninguém a realidade dos seus territórios.
Na mobilidade, o desafio é diferente, mas não menos exigente.
Não basta anunciar novas linhas ou adquirir novos autocarros. É preciso construir um serviço em que as pessoas confiem e que as leve, de facto, a mudar hábitos.
Num concelho onde milhares de pessoas entram e saem todos os dias para trabalhar, a mobilidade é também uma política de emprego. Uma rede de transportes eficiente permite às empresas recrutar num raio mais alargado, reduz os custos de deslocação dos trabalhadores, melhora a produtividade e facilita a conciliação entre a vida profissional e familiar.
Nos últimos anos, Famalicão reforçou a oferta de transporte público, tornando-a mais ampla e moderna. Esse investimento deve ser reconhecido e aprofundado, porque representa uma aposta estratégica no futuro do concelho.
É verdade que algumas carreiras ainda registam poucos passageiros. Mas isso não invalida a estratégia. Durante décadas, o automóvel foi praticamente a única opção para milhares de pessoas. Não se alteram hábitos enraizados ao longo de uma vida em poucos meses. A procura também se constrói. Exige tempo, continuidade e coragem política para investir antes de os resultados serem plenamente visíveis.
Por isso, cabe ao Município garantir um serviço regular, confortável, seguro e fiável. Mas cabe também sensibilizar a população para as vantagens do transporte público, menos trânsito, menores custos para as famílias, menor impacto ambiental e melhor qualidade de vida.
Estou convicto de que Famalicão seguirá, num futuro próximo, o exemplo de várias cidades europeias e avançará para transportes públicos cada vez mais acessíveis e, desejavelmente, gratuitos. Esse será mais um passo decisivo para transformar a mobilidade num verdadeiro serviço público ao alcance de todos.
Habitação e mobilidade têm algo em comum, exigem visão de longo prazo. Exigem decisões que não produzem todos os resultados de imediato, mas que moldam o território durante décadas. São escolhas que definem a qualidade de vida das próximas gerações e a capacidade do concelho continuar a crescer de forma equilibrada.
Famalicão é um concelho competitivo, dinâmico e com enorme capacidade de crescimento. Mas esse crescimento exige políticas públicas à altura dessa ambição. A habitação e a mobilidade não são apenas despesas. São investimentos na qualidade de vida, na coesão social, na atração de talento, na competitividade económica, na criação de emprego e na capacidade das empresas continuarem a investir e a criar riqueza no concelho.
Governar é resolver os problemas de hoje, mas também antecipar os desafios de amanhã.
Famalicão não pode limitar-se a acompanhar o ritmo dos outros. Famalicão tem de marcar o ritmo.
Para isso, é necessária uma liderança presente e não à distância, próxima das pessoas e capaz de decidir. Uma liderança com visão estratégica, capacidade de execução e coragem para remover os obstáculos ao desenvolvimento.
Menos burocracia, mais investimento, mais eficiência e mais confiança nas autarquias.
O futuro de Famalicão não se adia nem se improvisa. Constrói-se com decisões firmes, políticas consistentes e a coragem de colocar as pessoas no centro de cada escolha. Preparar hoje o Famalicão de amanhã é garantir um concelho mais justo, mais acessível, mais competitivo e mais forte, onde habitação, mobilidade e emprego caminham lado a lado para gerar mais oportunidades, mais investimento, mais crescimento e uma melhor qualidade de vida para todos.
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