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Opinião

Rock na Devesa, uma oportunidade para colocar Famalicão no mapa dos grandes festivais

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*imagem gerada aleatoriamente por IA

Os festivais de música afirmam-se, cada vez mais, como importantes motores de desenvolvimento económico, turístico e de promoção territorial. Não são apenas momentos de entretenimento, são instrumentos de afirmação das cidades e regiões que os acolhem, gerando riqueza, atraindo visitantes e projetando a sua imagem muito para além das fronteiras locais.

A maioria dos grandes festivais realiza-se nas proximidades dos principais centros urbanos, beneficiando da existência de amplas bolsas populacionais, de bons acessos e de uma forte capacidade de mobilidade. Ora, Vila Nova de Famalicão reúne precisamente essas condições.

Situado no coração do Norte de Portugal, entre Porto, Braga, Barcelos e Guimarães, e a escassos quilómetros da Galiza, o concelho possui uma localização privilegiada para receber um evento de grande dimensão, capaz de atrair centenas de milhares de pessoas.

O Parque da Devesa apresenta-se como o espaço ideal para esse desafio. Pela sua localização central, pela qualidade do enquadramento urbano e pela sua dimensão, oferece condições para acolher um festival de referência. Um “Rock na Devesa” poderia transformar-se numa marca identitária de Famalicão, com notoriedade nacional e potencial de projeção internacional.

Esta reflexão não coloca em causa as Antoninas, a Feira de Artesanato ou outras iniciativas culturais. Todas elas têm mérito e desempenham um papel importante na dinamização social e cultural do concelho. A questão é outra, pensar de forma complementar, diversificando a oferta e criando novos eventos capazes de posicionar Famalicão num patamar diferente.

Mesmo sem recorrer a estudos económicos, parece evidente que um festival desta natureza teria um impacto significativo na hotelaria, na restauração, no comércio local e em toda a economia de proximidade. Simultaneamente, levaria o nome de Famalicão a novos públicos, reforçando a sua atratividade enquanto território para viver, investir e visitar.

Acresce que um projeto desta dimensão não teria de assentar exclusivamente em investimento público. Um modelo de organização que envolvesse patrocinadores, promotores privados e parceiros institucionais poderia reduzir significativamente o esforço financeiro do município, mantendo elevados níveis de qualidade e ambição.

Famalicão tem demonstrado, ao longo das últimas décadas, que quando pensa estrategicamente, cresce e demonstra que não tem receio de ambicionar mais. Foi assim na educação, na saúde, na indústria e na afirmação do concelho como um dos mais competitivos do país.

Talvez tenha chegado o momento de aplicar essa mesma visão à cultura e aos grandes eventos.

O futuro de Famalicão constrói-se com ambição, visão e coragem para dar passos que marcam gerações. Um “Rock na Devesa” não deve ser visto apenas como um festival, mas como a afirmação de uma estratégia cultural clara, a de um concelho que quer assumir-se como palco de referência no panorama dos grandes eventos musicais em Portugal.

Porque as grandes transformações não acontecem por acaso, acontecem quando há vontade de as fazer acontecer. E Famalicão tem todas as condições para dar esse passo.

Mas essa visão de futuro não dispensa a valorização das nossas raízes. Os grandes eventos e os eventos identitários não competem entre si, complementam-se e enriquecem o território.

Sou um Oliveirense orgulhoso e, por isso, deixo também um convite, visitem o Bulir em Terras de Santa Maria, um evento identitário de Oliveira Santa Maria, que nasceu em 2013 e que, ano após ano, preserva tradições, fortalece o espírito comunitário e afirma a identidade da nossa terra. Porque Vila Nova de Famalicão forte, faz-se também de freguesias com identidade, orgulho e capacidade de manter viva a sua história.

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