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Opinião

Urbanidade e cidadania

Publicado

em

Por Domingos Peixoto

Vêem-se e ouvem-se com muita frequência comentários desagradáveis – quase sempre justificados – e ofensivos – injustificados – contra etnias e raças minoritárias, em geral sobre a sua forma de vida, mas particularmente quanto ao “lixo” de que se rodeiam ou espalham em redor dos seus espaços de habitação e convívio.

Muito dificilmente olhamos para o “desleixo” que, com muita frequência, nós próprios praticamos a respeito da urbanidade e cidadania.

Quando Armindo Costa chegou à presidência do município decidiu, e bem, fazer uma limpeza às toneladas de lixo, nomeadamente de destroços de construção de reparações de construção civil (cc), automóvel, equipamentos elétricos e vegetação em geral. Porém, a par da decisão, aproveitou para dar forte bicada na oposição atribuindo-lhe a culpa – por desleixo – de não limpar e não criar regras para evitar a proliferação de tanta “porcaria” despejada por caminhos rurais mais recônditos e por orlas de estradas e caminhos que atravessam montes e vales.

Bem feito e limpo quase tudo, nunca se pode garantir que não “escapou” nada, passou algum tempo até que voltassem a aparecer detritos que, diga-se de passagem, eram logo retirados. Mas eis que a “normalidade” voltou aos modos antigos e hoje já por aí proliferam as atitudes subrreptícias e castradoras de uma urbanidade que se desejaria exigente em prol do bem estar cidadão, dos donos dos espaços que nada têm a ver com os desmandos e, sobretudo, do ambiente e da natureza de que tão carente está a sociedade!

Alguns testemunhos que não carecem de identificação precisa:

– Terrenos fundos aterrados com todo o tipo de detritos e terras, mesmo com viaturas do município para satisfação de interesses ligados ao imobiliário;

– Uma rua pavimentada recentemente, que atravessa a ciclovia, ontem, domingo, numa das bermas tinha depositados detritos de cc e uma sanita, bem perto de uma grande e bonita urbanização habitacional;

– As dezenas de ecopontos que frequentemente aparecem ao seu lado, no chão, quantidades enormes de artigos para reciclagem;

– As bermas de estradas e caminhos e terrenos contíguos das nossas freguesias que são repositório de todo o tipo de plásticos, cartões, latas e vidros de comidas e bebidas embaladas, e agora de máscaras;

– As margens dos rios, o próprio leito e das ciclovias eivados de detritos de toda a espécie;

– Um outro aspeto, a meu ver perturbador, é a vegetação de algumas propriedades pendurada sobre os espaços públicos dificultando a circulação dos transeuntes.

Mas muito estranho e que denota uma falta enorme de urbanidade e civismo é o facto de passarem as brigadas de limpeza das freguesias, do município e das EN limpando tudo e na hora seguinte lá começam a aparecer de novo os detritos!

É preciso que nos lembremos, sempre, que todo este procedimento tem efeitos nefastos para o ambiente e para o clima. Vejamos: de repente vêm umas chuvadas – o diabo seja surdo -, a água pluvial corre a grande velocidade levando na frente, ou empurrando para o meio “do caminho”, tudo o que encontra até ao escoadouro, ribeiro e rio mais próximos, provocando inundações, prejuízos graves e, por último tudo vai parar ao mar já de si extremamente saturado.

É sempre em “nosso” prejuízo, dos nossos filhos e netos, das muitas gerações futuras que se esperam e da sustentabilidade da humanidade.

É preciso que nos lembremos; todos os esforços são poucos; nenhum de nós (rico ou pobre) tem criados para fazer o que nos compete.

Civismo, urbanidade e cidadania são precisos.

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