Famalicão
Caos e calma no mesmo lugar!
Enquanto por cá discutimos quem derruba quem, o mundo discute quem vai liderar o futuro.
Guerras redesenham fronteiras. O protecionismo regressa. A Inteligência Artificial transforma economias. Estados Unidos e China disputam poder e tecnologia. E a Europa percebeu, talvez tarde, que precisa de voltar a produzir, investir e garantir a sua própria segurança.
É este o mundo retratado pela The Economist em The World Ahead 2026. Um mundo instável, competitivo e em transformação acelerada.
Por cá, o Chega parece concentrado numa batalha política para enfraquecer e substituir o PSD. É legítimo, a competição faz parte da democracia. Mas não confundamos a agenda partidária com a agenda do país. E essa disputa não aparece na capa da The Economist.
Talvez devêssemos perguntar porquê.
Enquanto discutimos a próxima moção de censura, outros estão a decidir onde serão feitos os próximos investimentos, onde ficará a indústria, quem dominará a Inteligência Artificial e onde serão criados os empregos do futuro. É perante este caos que precisamos da calma da estratégia.
Para o Minho, a mudança pode ser uma enorme oportunidade. A Europa quer produzir mais perto e depender menos de terceiros. E nós temos indústria, empresas exportadoras, universidades, centros tecnológicos, talento e a Galiza ao lado. Temos os ativos. Falta ganhar escala.
Para o Minho, a mudança pode ser uma enorme oportunidade. A Europa quer produzir mais
É por isso que a proposta de uma Área Metropolitana do Minho, levada ao Congresso Nacional do PSD, em Anadia, pela Comissão Política Distrital de Braga liderada por Carlos Eduardo Reis, merece ser discutida seriamente.
Braga, Guimarães, Famalicão, Barcelos e Viana do Castelo podem pensar conjuntamente mobilidade, habitação, investimento, inovação e ligação à Galiza. Não para criar mais burocracia, mas para dar força política a uma realidade económica que já existe.
O caos internacional não se resolve no Minho. Mas podemos decidir como nos posicionamos perante ele.
É precisamente nos tempos de maior incerteza que a política precisa de mais serenidade, mais visão e mais coragem para decidir.
O mundo continuará a mudar. A verdadeira questão é saber se vamos gastar o nosso tempo a discutir quem vence a próxima batalha política ou a preparar quem queremos ser na próxima década.
No meio do caos, é a calma de uma estratégia que constrói o futuro.
Vitor Pereira, licenciado em Gestão Pública
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