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Famalicão na rota dos apelos ao fim do uso dos herbicidas e pesticidas

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A Comissão Política Concelhia do PAN Famalicão endereçou, esta segunda-feira, uma recomendação ao executivo municipal famalicense, liderado por Mário Passos, com o intuito de “declarar Vila Nova de Famalicão concelho promotor da biodiversidade”.

Esta iniciativa surge na sequência do programa governamental “Polinizadores em Ação”, uma estratégia nacional inserida no Plano Nacional de Restauro da Natureza que tem como meta europeia inverter o declínio dos polinizadores até 2030.

O Pessoas-Animais-Natureza sublinha que o objetivo desta recomendação está “totalmente alinhado com aquilo que o partido já tem vindo a defender”, visando garantir a conservação e a sustentabilidade de espécies cruciais para o equilíbrio dos ecossistemas e para a saúde da população.

No documento enviado à autarquia, o PAN defende “o fim do uso de herbicidas ou pesticidas para controlo de ervas daninhas nos espaços públicos” sob responsabilidade do município e das Juntas de Freguesia. O partido argumenta que existem alternativas ao uso excessivo de químicos e aponta para práticas já adotadas em locais específicos do concelho de Famalicão que promovem a manutenção do prado para proteção dos polinizadores.

“A questão que se coloca é: porque não alargar esta prática a todo o concelho? Este é o desafio que deixamos!”

Catarina Rocha, PAN

Para além da gestão química dos espaços, a recomendação aponta que “a protecção das zonas húmidas é essencial para a fauna em geral e para os polinizadores em particular”. O PAN alerta com preocupação que estas zonas “têm vindo a desaparecer a um ritmo avassalador no nosso concelho, colocando espécies endémicas destas zonas em risco”.

Ao instar o executivo a garantir o aumento de zonas verdes e floridas, bem como a preservação das zonas húmidas existentes, a porta-voz Catarina Rocha desafia a autarquia a uniformizar estas políticas ambientais em todo o território. “A questão que se coloca é: porque não alargar esta prática a todo o concelho? Este é o desafio que deixamos!”, conclui a responsável na missiva enviada.

Até à hora de fecho desta edição, a Câmara Municipal de Famalicão ainda não se havia pronunciado quanto ao teor da recomendação enviada pelo PAN.

O caso do estudo que negava risco de cancro e que foi retratado por omissão de dados críticos

No final do ano passado, este debate em torno da utilização de químicos em espaços públicos ganhou novos e polémicos contornos após a retratação de um estudo científico influente, publicado originalmente no ano 2000, que serviu durante décadas como a “pedra angular” para as alegações de segurança do glifosato. Segundo uma investigação detalhada por Carey Gillam, a revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology decidiu retirar formalmente o artigo após concluir que “a integridade científica do conteúdo foi comprometida”. A nota de retratação, emitida pela editora Elsevier, revelou que os autores omitiram ou distorceram dados críticos sobre a relação entre o herbicida e o desenvolvimento de cancro, além de não terem divulgado o envolvimento direto de funcionários da Monsanto na redação do documento, numa prática de escrita fantasma.

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