Sociedade
Escola D. Sancho I veste-se de amarelo para manter viva a tradição das Maias
As janelas do Agrupamento de Escolas D. Sancho I ganharam uma nova cor esta semana. Cumprindo uma tradição que já conta com mais de vinte anos, os alunos dedicaram-se à criação das emblemáticas coroas de flores amarelas — as Maias — provando que os costumes do Minho continuam bem enraizados na comunidade escolar.
A iniciativa, que visa celebrar a renovação da natureza e, segundo a crença popular, “espantar o burro e a má sorte”, é vista pela direção como um pilar fundamental da formação dos jovens. Artur Passos, diretor do agrupamento, recorda que o projeto nasceu do desafio de uma docente e tornou-se parte da identidade da instituição. “Foi uma ideia de uma professora há mais de 20 anos atrás. Tem a ver com a renovação da natureza nesta altura da primavera e o início das plantações para os agricultores. Entendemos que as tradições se devem manter e é importante incutir este hábito nos alunos, nas famílias e na localidade”, explicou o docente.

Um elo entre gerações e a comunidade
A atividade contou com a visita de Pedro Oliveira, vereador da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, que destacou o papel da escola na proteção do património imaterial da região. Para o autarca, este é o “ponto de partida” ideal para as celebrações do mês de maio e da Festa da Flor que se aproxima.
“É importante por este resultado final que resulta do trabalho que os alunos desenvolvem, mas é muito importante o que está por detrás desta iniciativa: essa memória e essa identidade que caracteriza muito daquilo que são as nossas raízes e a nossa tradição”, elencou Pedro Oliveira.
Para muitos estudantes, este é o primeiro contacto real com o simbolismo das Maias. Caio Assunção, um dos alunos envolvidos na decoração das janelas, confessa que, apesar de não conhecer profundamente a história do costume, a vontade de participar foi imediata após o convite da sua professora de Geografia.
“Eu não conhecia ainda. Alguns disseram-me que era para espantar os espíritos, os maus espíritos. Como estou sem telemóvel, não deu para procurar mais sobre a tradição, mas creio que seja isso”, explicou o jovem Caio, ilustrando como o empenho prático acaba por falar mais alto do que o conhecimento teórico inicial.
As coroas de flores amarelas permanecerão nas janelas da Escola D. Sancho I durante os próximos dias, servindo como um lembrete visual de que, em Famalicão, a modernidade educativa não caminha de costas voltadas para a herança dos antepassados.
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