Famalicão
Festas Antoninas: Oposição quer poupar e valorizar “prata da casa” perante contexto socioeconómico
O executivo municipal de Vila Nova de Famalicão aprovou, em reunião do executivo realizada esta quinta-feira, o programa e orçamento para as Festas Antoninas de 2026. À semelhança do ano anterior, o investimento ronda um milhão de euros, valor que mereceu os votos contra do PS e do Chega, que acusam a autarquia de “exagero” e “falta de inovação”.
As festas maiores do concelho voltam a estar no centro da polémica política. Com uma dotação orçamental que duplicou face a 2022, o plano para as Antoninas foi viabilizado pela maioria PSD/CDS-PP, mas enfrentou duras críticas da oposição, que defende uma contenção de custos perante o atual contexto socioeconómico.
PS: “Qualidade não significa gastar mais dinheiro”
Eduardo Oliveira, vereador do Partido Socialista, justificou o voto contra sublinhando que, embora o partido seja “a favor da tradição”, o montante investido é desproporcional quando comparado com cidades vizinhas como Braga, Barcelos ou Guimarães.
“Olhando para o Quadrilátero, se me dissessem que o investimento de um milhão de euros significava em número de participantes [mais pessoas], não é isso que acontece”, afirmou o vereador, lembrando que as Festas das Cruzes (Barcelos) custam 650 mil euros e o São João de Braga cerca de 400 mil.
Para Eduardo Oliveira, a evolução do orçamento — de 456 mil euros em 2022 para um milhão em 2026 — não se traduziu num aumento proporcional de visitantes. O socialista defende uma aposta maior na “prata da casa” e nas associações locais para reduzir despesas. “Não podemos aceitar que se gaste um milhão de euros numas festas populares quando sabemos das dificuldades que os famalicenses atravessam”, rematou.
Eduardo Oliveira, líder da concelhia do PS
Chega: “Prioridade à qualidade de vida dos famalicenses”
Pela mesma linha de oposição, Pedro Alves, do Chega, defendeu que o investimento deveria ser canalizado para áreas estruturais do concelho. “Somos a favor de umas festas mais económicas. Dar melhores condições de vida aos famalicenses — estradas, saneamento — isso para nós é prioritário”, vincou.
Vincando o seu total apoio às Festas Antoninas, o vereador sugeriu que a autarquia deveria apostar num cartaz menos dispendioso: “Se o cartaz tiver que ser menos atrativo, utilizando a ‘prata da casa’ para fazermos uma festa mais económica, assim terá que ser.”
Pedro Alves, líder do Chega Famalicão
Mário Passos: “Não é prata, é ouro da casa”
O presidente da Câmara Municipal, Mário Passos, refutou as críticas, classificando-as como “demagogia pura”. O autarca defende que o orçamento é “proporcional a Famalicão” e que a grande fatia do investimento — cerca de 78% — reverte diretamente para os grupos e artistas famalicenses. “É um grande apoio que damos — não à prata da casa, eu costumo dizer ao ouro da casa, tal é a qualidade que apresentam. A programação é quase toda ela feita pelos famalicenses”, explicou o edil.
Passos justificou ainda a duração das festividades (10 dias) como uma forma de dar palco a todos os talentos locais, algo que seria impossível num formato mais curto. Além do “equilíbrio cultural” e do “apoio social” de oferecer concertos gratuitos de grande escala, o presidente destacou o impacto financeiro na economia local. “Este milhão rende a Famalicão dezenas de milhões de euros de retorno. A nível de alojamento, está tudo preenchido; os restaurantes cheios. É um investimento com retorno económico brutal para o comércio local”, acrescentou.
Mário Passos, presidente da Câmara Municipal de Famalicão
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