Famalicão
Coindu avança com lay-off para quase 500 trabalhadores e PS exige respostas urgentes ao Governo
Os deputados do Partido Socialista (PS) eleitos pelo Círculo de Braga, em articulação com os membros da Comissão Parlamentar do Trabalho, Segurança Social e Inclusão, enviaram um requerimento com caráter de urgência à Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Em causa está o novo processo de lay-off anunciado pela empresa Coindu, localizada na vila de Joane, que irá afetar diretamente cerca de 493 trabalhadores.
A Coindu, que se dedica à produção de componentes têxteis para o setor automóvel, tem enfrentado um período conturbado nos últimos anos, marcado por sucessivas reduções de postos de trabalho e despedimentos coletivos.
Em nota à comunicação social, o partido explica que a administração da empresa justifica a aplicação do lay-off com “a atual conjuntura do setor a nível europeu, marcada pela quebra de encomendas, pela transição tecnológica e pelas dificuldades económicas que afetam a indústria automóvel”.
A dimensão da medida gerou uma onda de descontentamento e apreensão por parte dos representantes socialistas, que alertam para a gravidade da situação num território fortemente dependente do emprego industrial. “Esta situação suscita elevada preocupação social e laboral, quer pelo impacto direto sobre centenas de trabalhadores e respetivas famílias, quer pelas consequências económicas que poderá representar para a região do Ave e para o tecido industrial nacional”, sustentam os deputados no documento enviado à tutela.
Para o PS, torna-se imperativo clarificar o papel do executivo na monitorização deste processo, exigindo saber que mecanismos estão a ser acionados para “salvaguardar os direitos dos trabalhadores e mitigar os impactos sociais e laborais decorrentes desta situação”.
Socialistas exigem plano de requalificação profissional
No pacote de perguntas dirigido à ministra, o Grupo Parlamentar do PS foca-se na proteção económica dos visados, questionando diretamente que medidas preventivas existem para salvaguardar os rendimentos das famílias e assegurar a manutenção futura daqueles postos de trabalho.
Os deputados pretendem ainda saber se o Governo está a desenhar, em estreita articulação com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), estratégias de apoio à requalificação profissional e à valorização das competências dos trabalhadores afetados, de forma a prepará-los para as novas exigências do mercado.
Face ao histórico de instabilidade laboral verificado na Coindu, o requerimento questiona também se estão plenamente assegurados todos os direitos previstos na lei para os trabalhadores integrados neste regime.
Por último, os parlamentares exigem que o Ministério faça uma avaliação rigorosa do impacto desta crise no emprego industrial da região do Ave, instando o Governo a clarificar que políticas planeia adotar para conter os fenómenos de desindustrialização e travar a perda de mão de obra qualificada no subsetor dos componentes automóveis.
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