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Crise política sem precedentes em Famalicão: PSD aprova homenagem a ex-autarcas mas Mário Passos votou contra e arrisca rutura total

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A comissão política concelhia do PSD de Vila Nova de Famalicão aprovou por unanimidade, em reunião de direção, uma orientação de voto favorável à proposta do PS para homenagear os antigos presidentes de Câmara Agostinho Fernandes e Armindo Costa. No entanto, o atual presidente, Mário Passos, acaba de desafiar a disciplina do partido, votando contra o documento na reunião extraordinária desta manhã – e que ainda decorre à hora de fecho desta edição. Uma decisão que poderá custar ao autarca a retirada da confiança política e ditar o fim histórico da coligação “Mais Ação Mais Famalicão”.

A direção da comissão política concelhia dos sociais-democratas reuniu e decidiu, de forma unânime, que o partido deve votar ao lado do Partido Socialista na proposta que visa batizar a Casa das Artes com o nome de Agostinho Fernandes e o Parque da Devesa com o do Arquiteto Armindo Costa. Esta indicação oficial foi formalmente apresentada a Mário Passos, mas o líder do executivo acabou de avançar isolado num caminho de colisão direta com a estrutura que o elegeu.

Fontes ligadas aos sociais-democratas famalicenses confirmaram ao Opinião Pública que o ambiente é de profunda indignação com a postura inflexível de Mário Passos. Ao insistir no chumbo à proposta na reunião extraordinária à porta fechada desta manhã, o presidente da Câmara estará a desautorizar publicamente a direção do seu próprio partido.

Guerra aberta: quebra de confiança política e fim da coligação

Este ato, que de acordo com a mesma fonte, já era esperado pelos sociais democratas famalicenses, poderá ter consequências imediatas para o autarca, estando em cima da mesa, por um lado, a retirada imediata da confiança política por parte do PSD a Mário Passos, deixando o presidente formalmente isolado no poder; e por outro, o término definitivo da coligação “Mais Ação Mais Famalicão”, a histórica aliança entre o PSD e o CDS-PP que governa o município há um quarto de século.

A crise ganha contornos de profunda ironia histórica quando se analisa a génese da própria coligação que agora corre o risco de desaparecer. Foi precisamente o Arquiteto Armindo Costa quem, nas eleições autárquicas de 2001, fundou a união “Mais Ação, Mais Famalicão” (PSD/CDS-PP). Nessa altura, a recém-criada coligação de direita conseguiu o feito histórico de retirar do poder ao socialista Agostinho Fernandes, que liderava os destinos do concelho desde 1983.

“Ao recusar a homenagem conjunta aprovada pelo seu próprio partido, Mário Passos não está apenas a rejeitar uma iniciativa da oposição; está a hostilizar o legado do fundador da coligação que o levou à presidência da Câmara e a ignorar o apelo de figuras de peso do PSD local, como o presidente da Comissão Política, Paulo Reis, ou Álvaro Oliveira, que já se tinham manifestado favoráveis à discussão pública do documento”, revela fonte interna do PSD local.

Resta agora esperar por uma reação oficial da Comissão Política Concelhia dos sociais decocratas, assim como das respostas de Mários Passos aos jornalistas no final da reunião que, à hora de fecho desta edição, ainda decorria.

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