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Famalicão

“Uma oportunidade perdida”: Comerciantes preferiam local de cargas e descargas a novo banco na Alameda

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Na Alameda Luís de Camões, a paisagem mudou recentemente, mas os problemas estruturais apontados por quem ali vive e trabalha permanecem. Onde outrora se encontrava um chafariz, há muito inutilizado, a autarquia instalou um banco preto de linhas retas. A intervenção teve como objetivo abrir espaço para facilitar a entrada e saída nas garagens da zona, mas a solução está longe de reunir consenso no comércio local.

António Melo, comerciante na Alameda, reconhece que o antigo chafariz já não cumpria a sua função, assumindo-se como “mais uma lixeira do que chafariz”, onde se acumulavam detritos deixados pelos jovens que frequentam a zona. Contudo, a nova peça de mobiliário também não agrada. O lojista aponta críticas à estética da intervenção, considerando que torna a cidade “demasiado escura”, e questiona a sua utilidade prática. “Acho que se podia aproveitar aquelas formas para, se calhar, os mais idosos até se sentarem e conviverem, mas com este calor é insuportável estar sentado”, lamenta.

Infrações forçadas e garagens bloqueadas

Para Paulo Machado, outro comerciante da zona, a obra representou, sobretudo, uma oportunidade perdida. “Não é que não goste, mas preferíamos uma zona de cargas e descargas”, sublinha, lembrando que se trata de “uma rua com comércio”, onde constantemente há “camiões pesados a fazer carga e descarga”, exigindo um esforço logístico ao comércio de bebidas que ali opera diariamente.

A falta de um espaço dedicado à logística obriga, muitas vezes, os próprios lojistas a cometerem infrações. Paulo Machado, responsável por um café na zona, admite que, para abastecer o seu estabelecimento, se vê forçado a “fazer esse estacionamento abusivo, mesmo que seja temporário”.

Somam-se críticas nas redes sociais

Nos últimos dias, alguns internautas publicaram fotografias onde é notório o estacionamento abusivo na rua. As fotografias mostram carros particulares e não comerciais.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) de Famalicão já confirmou ter recebido queixas no passado relacionadas com esta artéria, admitindo que a zona urbana se encontra pouco sinalizada, mas garante estar atenta e pronta a atuar.

A escassez de lugares nas redondezas, nomeadamente nos parques do Edifício Sagres e Millenium e da Rua Luís Barroso, é agravada pelo facto de alguns moradores deixarem os seus “segundos carros” ali estacionados durante “semanas”, alerta António Melo. O resultado traduz-se, muitas vezes, em penalizações para os clientes do comércio local, para quem “os livros ficam muito caros” quando “são apanhados e são logo 30 euros de multa”.

Como solução para o impasse, o mesmo responsável sugere a implementação de um sistema que garanta a rotatividade. “A solução seria estacionamento pago para ser estacionamento rápido”, defende António Melo, revelando que esta é uma proposta antiga já apresentada a anteriores executivos camarários, mencionando os nomes de Armindo Costa e Paulo Cunha, mas que até ao momento não obteve resposta.

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