Famalicão
150 Anos da Romaria Nova: Mercadinhos, zona de restauração e cartaz de peso aguardam multidão em Lousado
A freguesia de Lousado prepara-se para receber aquela que promete ser a maior Romaria Nova da sua história, entre 10 e 12 de setembro . Para assinalar o 150.º aniversário das festividades, que decorrem até 26 de setembro, foi preparada uma programação que rivaliza com os grandes eventos citadinos, unindo grandes nomes da música nacional ao resgate de tradições antigas.
A organização está a cargo de uma comissão de festas composta por 37 elementos, cujas idades variam entre os 13 e os 50 anos. Em entrevista ao OPINIÃO PÚBLICA, Nuno Bezerra, presidente da comissão, destaca o envolvimento de toda a população. “Tem sido fantástico sentir que temos toda a comunidade do nosso lado”, sublinha. O responsável lembra que, à semelhança de anos anteriores, o grupo formou-se em cima da hora, mas a vontade de trabalhar falou mais alto: “Chegamos ao ponto de, a três meses da festa, não termos comissão, mas aconteceu o que tem sido habitual: um grupo de pessoas quis abraçar o projeto”.
O rejuvenescimento da comissão é um traço marcante. Bruna Sousa, que integra a organização pela terceira vez, recorda que o seu envolvimento começou precisamente numa dessas alturas de aperto. “Não havia ninguém para pegar na festa. Um amigo ligou-me, aceitei o desafio, fizemos tudo em três meses e correu muito bem. A partir daí, ganhei o gosto pela Romaria Nova”, conta.
Para garantir a viabilidade económica de um evento desta envergadura, o grupo organizou iniciativas quase todos os fins de semana desde fevereiro. José Leite, que também já vai na sua terceira comissão, confessa que, embora seja apaixonado pela Romaria desde criança, o esforço exigido este ano foi imenso. “Dá muito trabalho, este ano foi mais exigente, mas tenho sempre todo o prazer em fazer parte da organização”, afirma.
Conciliar a vida pessoal e profissional com a preparação da festa tem sido o grande desafio. Vítor Lopes, também membro da comissão, explica que a motivação da equipa foi fundamental. “Trabalhava por turnos aos fins de semana e disse que queria ajudar dentro das minhas possibilidades. Felizmente, consegui alterar algumas coisas na minha vida e estar mais presente, ao ponto de arrastar a minha esposa, que é da Vila das Aves, mas que já vive a festa como uma lousadense”, relata.

O regresso às raízes e as novidades no recinto
Apesar de o cartaz musical incluir artistas contemporâneos e de renome — com destaque para os UHF (sexta-feira), Diogo Piçarra (sábado) e Quim Barreiros (domingo) —, a essência da Romaria Nova mantém-se intacta. Segundo José Leite, o objetivo foi claro desde o início: “Procurámos ir ao encontro de todas as gerações, desde os mais pequenos aos mais velhos, sem esquecer a música popular, porque o rei do Pimba não podia faltar”.
A dimensão dos cabeças de cartaz obrigou, no entanto, a uma reorganização logística, como explica Lucas Mendes, secretário da comissão. “Tivemos de alterar a planta da festa. O palco principal deixa de ser no Montezelo e passa para a frente da igreja e do cemitério, um espaço muito maior que consegue aglomerar o público em segurança. Por outro lado, criámos uma zona de restauração no alto do Montezelo, muito mais preparada e com uma esplanada comum”, detalha, acrescentando que haverá ainda feiras de artesanato e outras surpresas.
Mas as celebrações dos 150 anos servem também para reavivar a memória coletiva da freguesia. Elisiário Pinto, natural de Lousado e profundo conhecedor da história local — tendo inclusive integrado a comissão do centenário, há 50 anos —, olha para o trabalho desta juventude com enorme satisfação. “A minha grande alegria é que muitos dos elementos que compõem estas últimas comissões passaram pelas minhas mãos como jogadores de futebol. A juventude de Lousado abraçou a tradição e trouxe inovação”, elogia.
O veterano recorda os tempos em que a ornamentação dos andores, como o de São Lourenço — “o guarda da Ponte da Lagoncinha” —, levava dias a preparar em seda e tecido, e lembra a antiga “rivalidade doentia” entre as zonas Norte e Sul da freguesia na altura de erguer os mastros, algo que hoje, felizmente, é apenas uma memória pitoresca.
Para assinalar a data redonda, há tradições que regressam aos moldes originais. Vítor Lopes desvenda algumas dessas surpresas: “Vamos ter 150 morteiros a comemorar os 150 anos. E vamos ter o fogo-de-artifício num sítio que pretendemos recuperar, que era antigamente em frente à igreja. Tinha passado para o lado da Trofa, mas, no nosso prisma, não fazia sentido ser numa freguesia vizinha”.
O objetivo principal desta edição, conclui Nuno Bezerra, é homenagear todos aqueles que, ao longo de um século e meio, não deixaram a festa morrer. A expectativa é alta e o convite fica feito por Lucas Mendes, em nome de toda a equipa: “Convido todos os lousadenses e as pessoas de fora a marcarem presença. Vai ser uma grande festa, com dias memoráveis que vão ficar gravados na memória. Estamos à vossa espera”.
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