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ENTREVISTA: “Não vejo nenhuma razão objetiva para que quem votou em nós não volte a votar´”

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O candidato da coligação Mais Ação Mais Famalicão, Mário Passos, é atualmente vereador das Freguesias, do Desporto e do Associativismo na Câmara de Famalicão e quer suceder a Paulo Cunha na presidência da autarquia. Licenciado em Física e Química, Mário Passos, de 55 anos, diz que é aquele que está melhor preparado para dar continuidade ao trabalho desenvolvido e responder aos desafios do futuro.

OPINIÃO PÚBLICA: Diz que Famalicão não pode inverter o caminho que foi iniciado em 2021 com a Coligação. Que caminho é esse que quer assegurar?

Mário Passos: Famalicão tem tido um desenvolvimento de excelência. Isso mesmo dizemos diversos estudos e rankings que têm aparecido, diz o sentimento dos famalicenses e dizem as pessoas de outras zonas que cá vêm. Portanto, para que se possa prosseguir este nível de desenvolvimento, é preciso ter uma enorme responsabilidade e uma enorme preparação. Eu sou aquele que tem a preparação necessária para dar continuidade a esta trajetória ascendente, cujo foco é cada um dos famalicenses, atendendo a todas as dimensões da governação. Ouvimos candidatos a falar só de ambiente, só de economia, só de saúde. Ora, o nosso bem-estar depende de uma diversidade de fatores.

Esse caminho ficaria perdido, caso não seja eleito? Porquê?

A preparação é essencial. Temos de conhecer muito bem o concelho, as 49 comunidades de freguesia, as mais de 900 associações formais e informais, os muitos dossiês da Câmara Municipal. A minha experiência enquanto vereador, de pelouros que sempre tiveram muita relação com as pessoas, fez-me ganhar a inteligência social para saber fazer aquilo que deve ser feito para criar bem-estar aos famalicenses.

Diz também que quer elevar Famalicão para outros patamares de desenvolvimento. Que patamares são esses?

Somos afetados por problemáticas que aqui há uns anos não existiam e que agora existem. A habitação é um exemplo. Há uns anos atrás não tínhamos grandes problemas com a habitação e agora há uma nova realidade nesta área.

E como é que se resolvem estes problemas?

Estou muito focado naqueles jovens que até já têm trabalho, mas isso não é suficiente para que possam comprar ou alugar casa, ou seja, não podem iniciar um projeto de vida. E há aqui três medidas que acho essenciais. Primeiro, a Câmara tem muitos terrenos nas freguesias que pode vender a custos controlados a jovens que aí queiram construir; depois, podemos fazer acordos com proprietários de edifícios degradados para que esses imóveis passam para a esfera da Câmara durante algum tempo, em que esta faz a obras e aluga com rendas acessíveis. Podemos também, com parceiros locais, promover a venda de habitação a custos controlados, em que, por exemplo, a Câmara oferece o terreno onde essas habitações vão ser construídas. Por outro lado, o PDM – que está a ser revisto – pode também resolver muitas questões, porque há pequena parcelas de terreno, entre habitações que são reserva agrícola e que poderão passar para zona de construção.

Vem aí o pós-pandemia, o Plano de Recuperação e Resiliência, um novo quadro comunitário. De que forma Famalicão deve aproveitar estes fundos?

Essa é uma das nossas grandes bandeiras. Temos de continuar com esta capacidade de captar esses fundos, para continuarmos aquilo que já estamos a fazer: inúmeras obras. No âmbito do PPR, já conseguimos, com muito esforço e muita determinação das nossas empresas, dar alguns passos, concretamente oito milhões de euros para a nova ponte na Nacional 14. Mas queremos ir mais longe. Na tutela da saúde, que é da administração central, há muito que reclamamos obras de reabilitação para as Unidades de Saúde Familiar e centros de saúde. Está tudo já mapeado e a Câmara está disposta a colaborar com o governo central na questão do terreno, onde for necessário, como é o caso da nova USF de Joane. Por isso, temos que aproveitar o PPR e lutar por estes investimentos. Também na área da habitação, estou convicto que iremos ter financiamento do PPR para implementar algumas das medidas que referi.

Na área da saúde, o candidato do PS defende um novo hospital para Famalicão. O que pensa disso?

Nunca vi o presidente do Conselho de Administração do hospital, o dr. António Barbosa, ou dr. Luís Moniz, também do Conselho de Administração, ambos famalicenses e ambos do PS, a dizer que têm necessidade de um hospital novo. O que sempre os ouvi dizer é que necessitam de obras de reabilitação neste hospital. E a Câmara tem ajudado por diversas vezes nessa reabilitação, a Clínica da Mulher e da Criança é disso bom exemplo. Fazer um novo hospital é utópico, é demagogia; o que nós precisamos é de reabilitar o existente.

As obras no centro da cidade arrastam-se. Considera que isso trará impactos negativos para a Coligação?

Qualquer obra tem um impacto negativo. Agora, são inequívocas as mais-valias que esta obra vai trazer para as pessoas de Famalicão e para os comerciantes. Aliás, nas zonas onde já está pronta, como na Alameda D. Maria II, os comerciantes já têm uma ideia completamente distinta porque já estão a beneficiar da obra. Vai ser, a par do Parque da Devesa, mais um retrato de Famalicão, que chamará gente. Vamos ter em Famalicão aquilo que vemos nas capitais e outras cidades da Europa.

A área dos transportes e mobilidade merece atenção se praticamente todas as candidaturas. Quais são as suas propostas?

É uma área onde já estamos a trabalhar, sobretudo a partir do momento em que a lei mudou e em que Famalicão ganhou o estatuto de Autoridade de Transportes. Queremos uma rede que cubra o concelho e que faça ligações para ajudar as pessoas que vão trabalhar para outros concelhos., portanto as carreiras vão ser incrementadas, e muito. Vamos passar de uma rede de 1,5 milhões de quilómetros/ano para uma rede com 3,5 milhões. Vamos adequar o tamanho dos autocarros ao perfil dos arruamentos e ao volume de passageiros. Vamos também adequar os horários às necessidades e utilizar as ferramentas digitais para os divulgar.

É o tal investimento de 54 milhões de euros para os próximos sete anos, aprovado recentemente em reunião de Câmara?

Sim. Vamos investir milhões de euros, todos os anos, para termos uma rede de transportes de qualidade, que atente a todos e que promova o uso do transporte público. 

Quais são os grandes desafios para os próximos quatro anos?

É estarmos precavidos quanto às consequências da pandemia. Sob o ponto de vista social e de empregabilidade, acho que, felizmente, não vai haver grandes consequências, mas há uma franja da população que me preocupa: os seniores. Temos que dar, cada vez mais, qualidade de vida e bem estar aos nossos seniores. Com aquilo que já fazemos e com aquilo que vamos implementar – como as Academias Sénior em todas as freguesias do concelho – tenho a certeza que os nossos seniores vão continuar a sonhar.  Depois, há o Ambiente, que para além da questão dos transportes, podemos fazer muito mais. Estamos a trabalhar, e vamos reforçar ainda mais, a eficiência energética, mas a transição energética também é fundamental. Temos que instalar sistemas autónomos de produção de energia nas nossas escolas, nos nossos empreendimentos urbanísticos, nas nossas ruas.

Há quatro anos a coligação teve o melhor resultado de sempre e para a Câmara, Paulo Cunha teve a maior percentagem do país. Conseguir melhor será difícil?

Acho que os famalicenses já deram mostra de que têm muita maturidade política e democrática, sabem o que querem e sabem avaliar. Não estou a ver nenhuma razão objetiva para que, aquelas pessoas que votaram em nós há quatro anos, não voltem a votar. E acho que, se fosse a lógica que imperasse, muitos mais famalicenses votariam em nós, porque é inequívoco que estamos muito melhor preparados. 

Qual é a fasquia que coloca?

Primeiro, em democracia, temos que respeitar a vontade dos eleitores. São eles que decidem. Sobre os meus objetivos e atendendo às premissas que referi, não me parece que vamos reduzir a votação. Há um sentimento de continuidade, instalado entre os famalicenses.

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